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Namorar é a sobremesa da vida.
“Seja homem, menino!”. A determinação paterna que nos acompanha desde sempre está cada vez mais difícil de ser cumprida. Passei a observar esse fenômeno ainda na faculdade, quando ainda nem era “casado e com filhos”. O Mundo de Marlboro desabou por completo durante a nossa geração, formada pelos nascidos de 75 para cá. A figura do machão, objeto de culto em tempos idos, ficou para trás. Rambos, Cobras, Exterminadores que o digam. Não há mais espaço para personagens assim nos anos 00.
E o que nos restou? Construir um novo papel social, bem mais equilibrado no que se refere às relações de gênero e menos prepotente. A dificuldade reside em encaixar-se a essa nova formatação com uma bagagem cultural de séculos de androcentrismo. As gerações nascentes verão essa nova identidade como algo natural, dada como eterna. Nós, não.
Estamos bem no meio de um processo de redefinição, de idas e vindas, de tentativa e erro. O psicanalista Contardo Calligaris, em entrevista à Veja desta semana, descreve muito bem esse problema. Seguem abaixo alguns trechos. Eles são especialmente recomendados às mulheres, para que possam compreender esse nosso comportamento um tanto quase confuso:
“O homem herdou, em especial a partir do século XIX, dois tipos de papel na sociedade. Um deles era o de provedor, representado bem pela figura de terno e gravata, marido e pai de família. O outro era o de aventureiro, alguém eventualmente próximo até de um criminoso. Essas duas figuras representavam quase a totalidade do leque possível da masculinidade. A partir da metade do século passado, a situação começou a mudar. O papel tradicional das mulheres passou por grandes transformações, muito antes do dos homens. Elas tornaram-se sujeitos jurídicos verdadeiros, não se viam mais na dependência de um casal ou de um marido.
E o lugar do provedor, que até então era exclusivamente masculino, passou a ser distribuído entre homens e mulheres. O homem não se justificava mais simplesmente por ser quem dava o sustento à família. E o avanço delas no campo até então masculino não parou por aí. Elas passaram a ser mães solteiras, não só por ação do destino, mas por vontade própria. Assim, outra faceta do papel do homem, o de ter e cuidar de uma família, também caiu por terra”.
“O lugar de provedor que eles (os homens) ocupavam, e que até então era exclusivo, de alguma forma funcionava como uma moeda de troca. Agora, as mulheres competem por essa posição. No mercado de trabalho, por exemplo, elas disputam quase em pé de igualdade. O homem passou a não saber mais como ‘ser homem’. Alguns começaram a encarar o risco mortal na prática dos esportes radicais como tudo o que lhes sobra de virilidade. Há outros que encaram a vida sexual como um lugar onde eles deveriam provar a sua masculinidade”
“A ideia de sacrifício, de estoicismo, está sempre ligada aos heróis masculinos. O segundo preço está relacionado com a distância da vida cotidiana. A não ser que o sujeito seja um Colombo ou um Pizarro, a grande maioria dos homens vive entre a padaria, o bar, o escritório e a casa. E eles se relacionam muito mal com essa vida cotidiana. Uma grandíssima parte de sua existência é sempre vivida como se não fosse o que eles deveriam estar fazendo. Isso não acontece com as mulheres. Elas têm um saber prático, de apreciação da vida. Para eles, é como se fossem obrigados a se acostumar com uma mediocridade que não é verdadeiramente o seu destino”.
“O sujeito está se matando no trabalho, mas lamenta o fato de não ser um Indiana Jones. A mulher pode achar isso engraçado, mas para o homem não é. Na média, ele pode ter tudo o que quiser, casa na praia, viagens para o exterior uma vez por ano, mas lhe falta a dimensão de heroísmo. Ele não toca nem de perto a constelação de imagens que culturalmente constituem o universo de figuras masculinas com as quais sonhou. O que ele quer, acima de tudo, é uma dimensão de aventura. Uma dimensão na qual ele tem de dar provas extremas de bravura, de coragem, de desprendimento, em circunstâncias extremas”.
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Se teve alguém que soube encarnar bem a figura desse novo homem esse alguém é Roberto Carlos. O especial exibido pela Globo ontem à noite, com a nata feminina da MPB cantando músicas dele, foi muito bom. Dava pra ver o grau de entrega e de reconhecimento por parte delas.
Tudo isso é mais que merecido. Além do grande compositor que sempre foi, embora esteja passando por uma fase de secura criativa, Roberto Carlos é, acima de tudo, um homem que gosta de mulher. As referências ao sexo feminino em suas músicas são sempre positivas. Elas não são tratadas como meros instrumentos de prazer, mas sim como protagonistas de relacionamentos tão intensos que rendem sempre grandes canções.
Você está no carro com sua mulher/amante/namorada. Para no sinal. Um belo carro se aproxima. Você o contempla. Ao virar o olho, sua mulher/amante/namorada já não está mais lá. O susto dura pouco tempo. O vidro do carro ao lado é abaixado e você consegue vê-la, muito bem sentada no outro veículo! Perdeu, playboy!
Esse é, em suma, o roteiro do comercial do Stilo Blackmotion, da Fiat. Quem acompanha propaganda de carro sabe que não basta ter um modelo rápido, confortável e seguro. Me pergunte qual a inovação trazida pelo novo modelo. Não sei. De acordo com a propaganda, o grando trunfo do novo Stilo é levar a mulher dos outros embora [Em termos né? Porque ninguém é de ninguém. No máximo nos emprestamos mutuamente].
Não basta o carro ser bom. É preciso pegar geral. É preciso ser o comelão. O comercial da Fiat, nesse sentido, é o supra-sumo da virilidade sobre quatro rodas, da cultura do big stick, do quanto mais duro melhor.
Vamos levar o comercial a sério, por alguns segundos. O que o motorista do Stilo fez com que a mulher que acabou de abandonar seu marido/amante/namorado? Levou para o motel? Mandou descer pouco depois, depois de chamá-la de “Maria Gasolina”? Voltou pra casa com cinco exemplares do sexo feminino? Quem não tem o novo Stilo, vai ter de travar a porta do carro para não deixar sua mulher escapar?
Pergunta final: As mulheres são tão voláteis assim? O tesão pelo carro é maior que o tesão por quem está dentro? Tenho certeza que não. A Fiat deve achar que sim.
Estreia em março, nos cinemas gringos, uma produção inglesa chamada Vampire Lesbian Killers. Basicamente, o fiapo de história trata de dois nerds que tentam escapar da fúria assassina de um grupo de vampiras. Tem coisa mais fetichista que isso? Vampiras. Matadoras. Lésbicas.
Não é de hoje que o mundo vampiresco exerce um grande fascínio sobre o público (vide o fenômeno Crespúsculo). Associe a isso o gosto pela violência de uma geração inteira (vide Tarantino, Domingo Maior, Jornal da Record). Acrescente, ainda, uma pitada de lesbianismo (sonho de consumo do inconsciente masculino, embora muitos desconversem ao tratar da questão).
O que vai ter de gente querendo morrer com uma mordida no pescoço por aí vai ser uma festa. Os índices de testosterona vão atingir proporções épicas nas salas de exibição. O motivo? Vampiras. Matadoras. Lésbicas.
Sexo virtual em Age of Conan termina em confusão
Do site Omelete.com.br:
“Uma história curiosa aconteceu dentro do universo de Age of Conan: Hyborian Adventures. O MMORPG (jogo online para multidões) da Funcom, como todos os demais games do gênero, tem uma legião de Game Masters, profissionais que controlam o que está acontecendo dentro da aventura a todo instante. Brigas, problemas técnicos, sugestões… os “GMs” estão ali pra manter o nível do entretenimento.
Um deles, porém, iniciou um diálogo um tanto ousado com uma jogadora. A conversa começou tranquila, com o bárbaro fortão que pediu a presença do Game Master revelando ser na verdade uma garota – “Uso esse personagem para que não fiquem me perturbando a todo instante”, disse. Em minutos o funcionário da Funcom sugeriu um cantinho mais tranquilo, às margens de um belo lago, onde a máscula dupla tirou suas roupas (imagem ao lado).
Meia-hora de sexo virtual depois, que não vamos reproduzir aqui, a revelação do bárbaro: “Uau, você é tão safado quanto eu. Aliás, você é tão safado que acabou de fazer sexo virtual com um cara!”. É isso aí. A bárbara era bárbaro! Pior… Além de ter seu orgulho ferido, o Game Master ainda sofreu no bolso. A conversa toda, com imagens, caiu no fórum de discussões de Age of Conan e o gerente de produto da Funcom, Erling Ellingsen, entrou na história.
“Estamos cientes do ocorrido e as medidas cabíveis foram tomadas contra eles. Nós temos regras bastante claras para os nossos funcionários, especialmente às pessoas que têm contato direto com os consumidores, e se elas são quebradas há consequências”, declarou Ellingsen. O GM, claro, foi despedido. E ainda teve que ouvir do bárbaro – que aparentemente foi banido – a frase “THIS IS SPARTA!”
Fica o alerta, portanto, para os jogadores de MMOs. Nunca se sabe quando um bárbaro é ou não é espada.”
COMENTÁRIOS:
Vocês leram a matéria acima. Um homem fez sexo com outro homem pensando que ele fosse uma mulher, em um jogo virtual, via internet.
O futuro chegou antes em matéria de sexualidade.
O que prova que, mais que ser uma questão meramente genital, o sexo é, essencialmente, mental. Que imagens e fantasias passaram pela cabeça do GM naquele momento? É importante lembrar que, visualmente, os dois estavam observando as figuras de dois bárbaros (ao melhor estilo Conan) contracenando.
Será possível desenvolver uma ação no mundo virtual tendo em mente uma outra representação no mundo físico? Até que ponto as duas coisas são diferentes? Até que ponto o virtual é uma extensão dos nossos membros e, por que não, dos nossos desejos mais reprimidos? Uma coisa é certa. O virtual ampliou (e muito) as possibilidades de contato sexual entre homens + mulheres ou homens+homens ou mulheres+mulheres.
Você, amigo leitor homem, já pensou na possibilidade de manter uma relação sexual via web com uma lésbica encarnando o papel de uma outra mulher?
Quando comecei a malhar, além do cansaço, comecei a sentir coisas bastante diferentes. O meu sexômetro passava dos 91% logo que eu terminava de fazer exercícios. Não sei se isso acontece com todo mundo, mas era o que ocorria comigo. Com a palavra os fisiologistas.
Associado a essa sensação, passei a ver os equipamentos sob um outro ângulo: como se eles fossem instrumentos sadomaquistas. Voltemos ao ponto de partida. A mesma malhação que dói os músculos e tritura o corpo também dá prazer. Esse é o segredo da coisa. Prazer não apenas estético, como “Nossa, como estou gostoso!”, mas prazer sexual mesmo. Desvio? Má conduta? Gosto pelo proibido? O que será que se esconde na alma do homem?
Até mesmo o design dos equipamentos leva a essa conclusão. São correntes, bancos, barras e orifícios encaixando-se ambos mutuamente por todos os lados. Sem falar nos espelhos. Se não estão no teto, como nos motéis, estão por toda a parte. Tudo para nos refestelarmos com a visão de nossos corpos expostos, com veias saltando e músculos retesados. Disse retesado. É bem verdade que alguns se refestelam mais que outros (barriguinha maldita!).
Dentro dessa nova ótica, a academia passa a ser um local de gozo do próprio corpo, muito mais que de culto. Quando te disserem que os exercícios fazem isso ou aquilo para a saúde, não acredite. A razão verdadeira é outra, muito mais obscura: as pessoas vão (se) malhar porque gostcham!
Do post de abril para cá, voltei a malhar. Essa não foi a causa do abandono do blog, é claro. Desde a época que fazia musculação em uma outra academia, tenho de vontade de escrever um texto sobre o ato de malhar. Como 91% das coisas que pensamos durante o dia se refere a sexo, nada melhor que relacionar as duas coisas. Pois lá vai…
O primeiro significado de malhar é bater com malho ou martelo. Ou seja, um ato que exige esforço e um pouco de violência. Não dá pra ter pena do ferro em brasa. Tem de descer o cacete nele mesmo. Caso contrário, nada feito. Com o nosso corpo, o processo é semelhante. Puxar ferros é uma forma de martelar os músculos, de maltratá-los. A resposta do organismo é o que faz com que eles se desenvolvam. Tem de haver dor e esforço. Quanto mais agressão, mais resultado. Quanto mais dor, mais centímetros de braços e pernas. No método natural da coisa é assim que funciona. Dá pra se drogar também, inchar o corpo por meios artificiais. Mas aí não tem graça.
E onde entra o sexo nessa história? Em vários pontos. Um corpo bonito todo mundo quer. E as outras pessoas também querem os corpos bonitos dos outros. Sejam pessoas do sexo oposto ou do mesmo sexo. A musculação é uma forma de contribuir para a melhoria do que nos foi dado geneticamente. E ninguém acha ruim de ser elogiado por aí, com frases como “Que bração!” ou “Que pernona!”. Ou ambas.
Essa é a relação mais comum entre sexo e malhar. Queria contribuir com duas outras, mais heterodoxas. (continua)
