You are currently browsing the category archive for the ‘Política’ category.
A: Quero ficar do lado dela!
B: Vai dar tudo certo.
A: Obrigado, Fortaleza!
(continua)
Texto publicado na edição de hoje do O POVO:
Volta e meia, as relações entre o Estado e as igrejas se acirram. Nesta campanha eleitoral, a prefeita Luizianne Lins foi acusada de ser contrária à Bíblia Sagrada. Na verdade, se seguirmos o mesmo raciocínio, ela seria contrária ao Corão e ao Baghavad Gita. O fato de o projeto de lei que previa a compra de exemplares da bíblia para as escolas municipais não ter sido aprovado não indica, em si, preferência ou não por determinada religião ou crença.
Quando o Estado age dessa maneira, cumpre apenas o que diz a Constituição Federal, em seu artigo 19. É proibido subvencionar cultos religiosos ou igrejas, a menos que esse “apoio” obedeça a interesse público. Comprar exemplares de obras religiosas para as escolas é uma causa justa. A bíblia é um livro muito importante e deve ser realmente lida. Tanto por quem acredita e professa sua religião quanto por aqueles não crêem em uma entidade superior.
Mas essa medida, tão benéfica em sua origem, gera uma série de questões relevantes. Que Bíblia seria comprada: a católica ou a evangélica? E por que não comprar o Corão, texto sagrado dos muçulmanos, ou O Livro dos Espíritos, referência para os kardecistas? Ou algum livro que explique a origem das crenças umbandistas e sua contribuição para o nosso povo?
Certamente, tais obras despertariam a atenção de muitos estudantes. E são muito importantes. Tanto para quem acredita e professa sua religião quanto por aqueles não crêem em uma entidade superior. Se for para a Prefeitura comprar a bíblia, que compre. A católica e a evangélica. Mas eu também quero ver, nas escolas municipais, alunos lendo o Corão e a Baghavad Gita. Pluralismo religioso é isso: ter o sagrado direito de escolher.
Quer saber mais sobre o assunto, clique aqui
Em 2004, fiquei tão triste com a derrota da seleção feminina de vôlei para a Rússia que escrevi um post sobre um assunto, na forma de uma carta para a Mari. Quatro anos depois, segue uma nova mensagem, desta vez, com um sorriso no rosto.
“26/08/2004
Don’t cry, Mari (carta imaginária para a atleta)
“Lutei o bom Combate, cumpri a jornada, guardei a fé”. Timóteo2, 4:7
A derrota de ontem, para as russas, mostrou o que há de melhor e pior em todos nós. Faz parte do jogo perder e ganhar, mesmo que o resultado final possa parecer injusto. Fui uma das pessoas que puderam presenciar tamanho embate, tamanha gana de vencer, na luta por uma medalha inédita. Não deu. Fica para a próxima.
A derrota, no tempo certo, ensina e cria uma couraça contra novas decepções. Não adianta se culpar ou querer voltar atrás. Estava escrito, nos misteriosos fios das anciãs do destino (que tudo vêem e nada dizem). Levanta a cabeça e continua a tua luta. Estaremos todos aqui, torcendo, vibrando, sorrindo, e, por que não, chorando.
Don’t cry, Mari. The dream isn’t over.”
Volta e meia, sai uma matéria sobre chacinas. São cinco mortos no Rio, quatro em São Paulo e três na Caucaia. Na Geórgia, bem ali, foram dois mil. Em pouco mais de três dias. São dois mil enterros. Mais de mil famílias despedaçadas. Mil filhos e mil pais sem seus entes queridos. Tudo por causa de uma disputa por terra. E por bandeiras.
Simplificação? Danos colaterais da batalha?
Explique isso a quem teve sua casa destruída. Ou a quem ficará com o braço amputado por causa dos explosivos. Ou aos 40 mil que deixaram seus lares e estão vagando por aí, neste exato momento.
A cabeça de quem manda jogar bombas em centenas de civis é a mesma de quem mata cinco em São Paulo, quatro em Caucaia e três no Rio.
Para não saber mais, clique aqui
O Fantástico exibiu uma boa reportagem ontem sobre a disputa política/esportiva entre os Estados Unidos e a China. Quase no final, uma afirmação me chamou a atenção: a de que os chineses têm certeza de que serão a superpotência mundial n° 1.
No plano econômico, a China tem todas as condições de superar os americanos. Mas ainda lhe falta uma coisa que os EUA sabem fazer muito bem. Dominar, com seu way of life, o campo ideológico. Seja na cultura, na política ou na ciência. Embora o discurso de “defensores da liberdade” esbarre muitas vezes na própria prática de seus dirigentes, esse conceito ainda é muito sedutor. Cabe à China o ônus de propor algo melhor para poder ganhar as massas globais e, então, conseguir o status de hiperpotência mundial.
O leitor deste blog não vai encontrar notícias quentes e nem análises políticas por aqui. Notícia você encontra em qualquer lugar. Hoje, elas vão atrás de você! Análise é algo sério e já tem muita gente dando palpite por aí, com ou sem conhecimento sobre o assunto. Este post, no entanto, é uma exceção. Ele foi escrito em 2004, no calor da eleição da prefeita Luizianne Lins. No dia da votação de segundo turno, fui designado pelo jornal O ESTADO, onde trabalhava à época, para cobrir o dia do Moroni Torgan. Ou seja, fui à igreja dos Mórmons que ele freqüenta, acompanhei o candidato votando, essas coisas. O que mais me chamaria atenção, no entanto, foi a reação após o resultado. Como é que ele iria reagir? Qual seria a resposta dos eleitores? Essas eram as perguntas que a gente se fazia no QG do finado PFL. Segue o texto:
04/11/2004
Cadernos de Viagem ao Mundo da Política Partidária Parte 1- De como se comportar na hora da decisão
Nos últimos quatro meses, respirei intensamente o ar da Política. Embora não seja minha área, aqui no jornal, todo mundo teve de se desdobrar para dar conta da cobertura das eleições municipais. Além do blá-blá-blá diário dos candidatos, tive de acompanhar dois deles no dia das eleições, tanto no primeiro quanto no segundo turno. Isso sem falar nos malditos debates. Arrghhhhh!!! (Fui a todos os que ocorreram à noite).
Na primeira fase, acompanhei o candidato do PSDB, Antonio Cambraia, um cara centrado, que fala pouco e não possui aquela “aura” de político. Isso, com certeza, tirou pontos dele. Uma outra atitude, da qual não gostei, foi o fato de ele não ter ido ao comitê, após saber que estava em quarto lugar na apuração dos votos. Político tem de dar a cara a bater. Não basta estar nos braços do povo quando se é eleito, tem de estar com ele na hora que perde e na hora da tristeza. Afinal, conforme pude constatar empiricamente, não há vitórias ou derrotas definitivas em política.
No segundo turno, cobri o candidato do PFL, Moroni Torgan. Já havia-o entrevistado algumas vezes. Moroni é o oposto de Cambraia: bom orador, coloca crédito nas palavras, sendo capaz de aglutinar pessoas de várias posições sociais, do que tem grana ao que está desesperado. De manhã, algo inédito para mim. Assisti boa parte do culto dos mórmons. Parece uma reunião de negócios, tamanha a precisão com que ela é feita. Pouco depois, na hora de votar, o pefelista arrastou uma multidão consigo. Fiquei impressionado com o alvoroço popular ao seu redor. A Política tem um irresistível poder de sedução. Até de “gostoso” Moroni foi chamado. Uma de suas eleitoras até fez um convite indecente para ele, para que fosse morar na casa dela. Imaginem a cena. Surreal é pouco.
À tarde, a pesquisa boca-de-urna confirmava o que tudo mundo sabia: Luizianne vencera e vencera bem. Ao contrário de Cambraia – que sumiu- Moroni foi ao comitê e ficou esperando a apuração em uma sala, junto com membros de sua coordenação. Às 20h10, quando mais de 90% das urnas já haviam sidas apuradas, ele saiu e se despediu dos militantes. Embora não seja seu eleitor, foi uma cena bonita. Ele agradecendo o pessoal e o povo chorando. Nas entrelinhas, lançou uma nova candidatura e a deu a certeza de continuar na vida política, ganhando ou perdendo. Moroni conta com os quase 500 mil eleitores que conquistou nesse ano e o desgaste que todo governo sofre em 2008. Vamos aguardar…”
