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Estou em um quarto que me permite ver um terço da rua. Sentado sobre a cama, respiro fundo e arrependo de não saber mais o vem que depois de “…santificado seja vosso nome…” Ser ateu é realmente uma arte. Mais um pouco e me atiro na primeira imagem que vir, de joelhos e aos prantos. Falta pouco, acho. Ou seria melhor tomar uma dose de rum com coca, gelo e limão? O que me daria mais barato?
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Queria um aparelho de som antigo, com aquelas caixas acústicas. Daqueles que todo mundo sabe o que você está ouvindo. Na orelha, apenas uma merda de um fio branco em um troço de plástico que mais zune que faz barulho. Na tentativa de não incomodarmos os outros, acabamos por não conseguirmos suportar a nós mesmos. Como eu preciso de zoada agora. Até uma banda gospel me faria bem, desde que tocasse uma melodia dissonante e com volume no talo. O que eu necessito, mesmo, de verdade, é ouvir a Norah Jones cantando “I Wouldn’t Need You” no meu ouvido.
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O bom caminho deixa rastro? As ovelhas voltam ao pastor por instinto? É possível passar a borracha em uma camada tão extensa de hipocrisia acumulada? Quem tiver respostas para as perguntas anteriores que as encaminhe em uma garrafa no porto de uma cidadezinha qualquer… Como estou à deriva, a mensagem logo chegará.

Odracir Aruom

Carne de primeira, time de primeira, primeira classe, primeira vez (a gente não esquece), primeiro plano, primogênito, primeiro mundo. Tudo que não estiver na primeira colocação está condenado à extinção. Tudo mesmo, eu juro. Na China esse rigor ordinal é levado às últimas consequências. Experimente ser o segundo filho por lá. E as estreias, o primeiro a ver, o primeiro a sentir, o primeiro a ouvir, o primeiro a dar o furo…
Que saco isso, não acham?
Foda-se o primeiro lugar. Parabéns pra quem foi mais rápido, mas e eu que também ultrapassei a linha de chegada não mereço nada? Foda-se a primeira classe. Quando o avião cai, quem quer ser o primeiro da lista a morrer? Foda-se a primeira vez. Eu tive mais prazer na 12ª. Foda-se o primeiro mundo, decadente, cheio de crises e mergulhado em uma arrogância babaca. Time de primeira… Ora, se o que eu torço é de terceira, o que mais me importa?
Sou o primeiro filho… Pois eu queria ser o caçula para ser mimado até dizer chega e ainda usar todas as roupas e brincar com todos os brinquedos do irmão mais velho. Dane-se os primeiros da sala, os primeiros da fila, os primeiros a chegar, o primeiro lugar geral do vestibular.
Isso não lhes serve de nada pro restante da vida, porque a vida não tem ranking, porque um animal não é mais importante que outro, muito menos uma espécie vegetal, muito menos nós, que vivemos no terceiro planeta do sistema solar e nem somos o primeiro corpo celeste em tamanho. Quer melhor classificação? Pois vai morar em Júpiter!

2010 tem sido, até o momento, um ano bastante árduo para mim. Sob todos os pontos de vista: pessoal, profissional, espiritual, financeiro e de saúde. Haja paciência e perseverança. Se minha vida fosse um reality, teria prova de resistência toda a semana. Pior ainda: com certeza seria obrigado a passar um mês no quarto branco com as figuras mais insuportáveis do programa. Dá pra ter uma noção do drama, né? Pois bem, encerro aqui meus lamentos. Vamos ao futebol…
Nesse período turbulento, foi-me recomendado um auxílio psicoprofissional pra ver se as coisas fluíam melhor. Contudo, não tinha tempo, grana, e me recuso a tomar remédios pra cabeça. Que fazer? Só me restou uma coisa (descartei a sessão de descarrego): o futebol. Tanto visto quanto jogado. E lá fui eu me meter a correr atrás da pelota (é o novo!) e ver aquele bando de macho passando de lá pra cá na TV.
Dizem que o futebol é o ópio do povo. E é verdade. Horas de futebol me fizeram sentir muito melhor que uma penca de ansiolíticos. Quando seu time ganha, então, é uma beleza… Uma goleadazinha regada a cerveja, frescando com os amigos, é bom demais…
Por obra do destino, o Santos, meu time de coração, está em uma fase sen-sa-cio-nal e histórica. Minhas quartas e domingos, então, já tinham um objetivo mais elevado: assistir ao Cirque du Soleil tupiniquim. Torcedor que é torcedor, sua mulher sabe muito bem, tem de se preparar, ficar ansioso, preocupado com o resultado da partida, vestir aquela camisa especial e acompanhar as inúmeras mesas-redondas que simplesmente não chegam a lugar algum. Fiz o teste uma vez: Na Sportv, determinado lance tinha sido um
pênalti; na ESPN, foi uma jogada normal, enquanto na Band tinha sido falta, mas fora da área.
As terças e quintas, por sua vez, foram reservadas ao racha da empresa – na quadra ou no society – onde eu tentava imitar os Meninos da Vila (sem muito sucesso, óbvio). Para quem não conhece meu estilo de jogo, é uma coisa assim meio Dunga, misturada com Serginho Chulapa. Como atleta, sou que nem o Jardel: não sei jogar, mas faço gol. Certamente seria chamado de voluntarioso por algum comentarista da vida.
Passados três meses de terapia intensiva, com direito a goleadas homéricas do Peixe e a muitos gols da minha autoria (seis em um só dia, juro), posso dizer que minha recuperação está transcorrendo de vento em popa. Neste domingo, contra o São Paulo, o Santos pode dar um grande passo para ser mais uma vez campeão paulista. Se isso ocorrer (me desculpe, Demétrio), será ótimo. Se não, tudo bem.
Estou a dois passos de receber alta. Ou, como diria em linguagem de boleiro, estou a dois passos de voltar à primeira divisão.

Os clichês são odiáveis. Sejam os linguísticos, sejam os existentes no comportamento das pessoas. Um deles, made in Brazil, diz que o ano só começa depois do Carnaval. Aham. O que nós estávamos fazendo então, desde o dia 1º de janeiro? De férias, alguns podem dizer. E férias não é viver? Só o que pode ser computado como dia útil deve ser contabilizado como dia vivido?

Pois bem, dito isso, e de forma tão peremptória, venho aqui dizer que abri uma exceção a esse clichê neste ano. Por uma série de razões (e emoções) que não vem ao caso, parece que 2010 definitivamente começa hoje. Pelo menos para mim. Tudo o que ocorreu nos últimos 53 dias (e não foi pouca coisa) ainda pertencia a 2009.

Hoje, vejo isso claramente. Pode? Pode. Feita a ressalva, resta cumprir as determinações presentes em toda a virada, listar nossas ações e preparar-se para mais um ciclo que se inicia. Feliz ano novo a todos (as)!!!

From Susan Miller:

“This is warming my heart to write this to you because, of all the signs, Virgo has suffered the most relationship difficulties of any sign in recent years. It is clear that by the very end of February you will be able to draw the line between the past and the future, and leave those dark days behind.

The disappointments of the past are now behind you. This month begins a new chapter, dear Virgo. You’ve weathered the storms and you’ve not only survived, but also thrived. This month brings calm blue skies and many reasons to believe again in the power and beauty of love.”

Quem escreve, escreve porque tem de escrever. Simples. É igual a jogar bola, como diria Robinho. Joga-se pela vontade de jogar. Ganhar milhões é consequência. Como diria J.D.Salinger, escreve-se pelo prazer do ato de escrever. Ser lido é consequência. Dito isso, em paz com a minha consciência exterior, escrevo, digito, boto pra fora. Quem quiser me acompanhar que acompanhe. Como diria meu pai: “Don’t follow me, I’m lost”.
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Mania essa de pensar em outra língua. Mas certas expressões são assim. Nasceram para serem ditas naquela versão. Adoro a palavra over. Tem coisa mais over que over? E fragmento? São nove letras diferentes em um mesma palavra, já repararam? De tão boa, é usada para tudo. Até para relacionar coisas/fatos/ideias que não possuem uma origem em comum. É como se, para consertar um vaso, fossem usados cacos de peças distintas.
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Escrever, às vezes, é como fazer uma faxina na casa. Colocar algumas coisas pra fora, arrumar outras. Deixar o sol entrar e abrir um corredorzinho pro vento percorrer sua viagem. Feito isso, pode se passar para nossas atividades de rotina, de trabalho. Enfim, o que nos mantém vivos, do ponto de vista financeiro.
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A grana há muito deixou de ser um objeto de troca, já dizia Marx. Ela faz parte da gente. Ela é a gente. Nós, homo capitalis, somos feitos de músculos, ossos, tecidos e dinheiro. Para os numerólogos, grana tem o mesmo valor de merda, é só contar as letras. Por isso, dizem que sonhar com excrementos é sinal de que vem dinheiro por aí. Faz a gente pensar, não?

Cada aniversário traz em si um momento de autoreflexão. Pelo menos é isso o que acontece comigo. Resolvi meu dilema pessoal da idade avançada na  chegada os 30.

Aos 31, minha preocupação atual é a solidão. Percebi que estamos irremediavelmente sozinhos no mundo. Estar só não é estar em um deserto, sem alguma alma viva. É responder solitariamente aos desafios que a vida nos impõe.  É não poder compartilhar integralmente a nossa angústia pessoal, que é só nossa. 

Será que estou falando sozinho?

(Atualização)

P.S. Dá um certo alívio saber que outras pessoas também se sentem assim. Que tal formamos a Banda dos Corações Solitários do Sargento Pimenta?

Férias: período dedicado àquelas leituras que a gente sempre deixa de lado. Por esta razão, o blog se encontra um pouco à deriva. Novidades em breve: Darwin, Maranhão, Umberto Eco e John Rawls aguardam os meus três valorosos leitores.

Escrito em maio deste ano:

“O twitter é a grande moda da internet hoje, neste exato momento, agora mesmo (só assim para poder se medir o alcance de alguma coisa na rede).  Entre suas virtudes, está o de ser ainda mais insatantâneo que o blog, que por sua vez é mais instantâneo que o site. Beleza. Mas e sobre o que deverá ser dito nesses veículos? Será que há tanta coisa relevante assim para ser dita, em velocidade mais que supersônica?

Da minha parte, não. O blog, para mim, já se apresenta como um grande desafio. Olhar a tela em branco e pensar em algo que seja realmente relevante representa uma tarefa árdua. Poderia ficar copiando textos que saem por aí. Seria bem mais fácil. Mas aí o blog deixa de ter a minha cara,  a minha micro contribuição.

Twitter no dos outros é refresco. Para mim, não. Vou ficar aqui blogando quando der, quanto tiver algo para oferecer. O Vida Paralela* não tem vontade de ser um hipermercado, mas sim uma quitandinha modesta, com frutas frescas e atendimento personalizado. É isso.”

Pois não foi que pouco tempo depois, acabei entrando no twitter? Vamos ver no que dá… Quem quiser me seguir, tá aqui o endereço www.twitter.com/ricardomoura78

 

24-05-09_1154

Eu acordo bem cedinho e…

26-02-09_1942…depois de tomar meu leitinho, vejo meus e-mails e atualizo o meu blog.

24-05-09_1116Leio o jornal do dia e…

24-05-09_1119…dou uma olhada nos clássicos da política.

29-03-09_0850Dou umas voltas (escondido, não conta pra ninguém) no carro do papai.

27-06-09_2054Com o meu primo e o meu irmão, faço umas comprinhas.

11-04-09_2036Vibro com mais um gol do Santos, time do coração do papai e meu.

05-01-09_0638Brinco com meus brinquedinhos na cama e…

19-04-09_0128..à noite, depois da minha sopinha, vou dormir. Minha vida é muito agitada!

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