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Fim de década*…
Listas e mais listas pululam por aí. Melhor CD, melhor single, melhor artista, mais vendido, menos vendido…É claro que eu gosto dessas coisas. Classificar é uma arte, um hobby, uma técnica, uma terapia ocupacional. Gosto da lista da NME, da ScreamYell. Acho a da Rolling Stone pop em excesso, no mal sentido.
Uma coisa, no entanto, parece ser tendência mais forte dessa década. O Hip Hop/R&b é a grande manifestação musical da década. Seja nos clipes, nos singles, na influência que exerce sobre a cultura, no dinheiro que movimenta. Kayne West, Jay-Z e Beyoncé são onipresentes. Experimente contar quantos singles foram extraídos de I am Sasha Fierce. Eles são o mainstream e quem quiser aparecer que seja parecido com eles (Nelly Furtado, Wanessa Camargo e Jewel são bons exemplos disso, dessa tentativa de emulação do Hip Hop para revitalizar carreiras em baixa).
Essa história de featuring (cantar com algum convidado) faz com que o sujeito apareça em um vídeo e reapareça em outro logo depois, quase em sequência. Nem que seja pra fazer o terceiro backing vocal: “Ohoooohoh hahahaham!” Contei quatro em uma música que faz menção ao Lebron James. Quatro! E ainda trataram de enfiar o Eminem no meio.
O rock está perdendo espaço? Sim e não. Felizmente chegamos ao fim dos 00s sem aquela bobagem de o “rock está morto”, esse tipo de coisa. Defunto ele não está, vide um monte de coisa legal que existe por aí. O problema é que o novo não aparece tanto quanto esse pacotão de Emos/Rock Toddynho que se espalham nas rádios e nos quatros adolescentes, feito gremlins castrados.
O Hip Hop, por sua vez, possui uma maior flexibilidade, é mais adaptável à cultura urbana que se configura e possui um apelo maior aos jovens 2.0. Inclua-se aí a emergência das vozes da juventude negra, periférica e latina que ganha cada vez mais espaço nos corações e mentes das pessoas. Por último, mas não menos importante, o Hip Hop parece ser um instrumento de contestação com maior relevância e credibilidade que o rock.
Lista do Scream & Yell Nacional
01) Bloco do Eu Sozinho, Los Hermanos (2001)
02) Ventura, Los Hermanos (2003)
03) O Método Túfo de Experiências, Cidadão Instigado (2005)
04) Nadadenovo, Mombojó (2004)
05) Cê, Caetano Veloso (2006)
06) Nação Zumbi, Nação Zumbi (2002)
07) Nada Como Um Dia Após o Outro Dia, Racionais MC’s (2002)
08) Cansei de Ser Sexy, Cansei de Ser Sexy (2005)
09) Japan Pop Show, Curumin (2008)
10) Grandes Infiéis, Violins (2005)
11) Cosmotron, Skank (2003)
12) Vanguart, Vanguart (2007)
13) Toda Cura Para Todo Mal, Pato Fu (2005)
14) Por Pouco, Mundo Livre S/A (2000)
15) A Farsa do Samba Nublado, Wado (2004)
16) Uhuuu, Cidadão Instigado (2009)
17) Melodias de Uma Estrela Falsa, Astromato (2000)
18) Futura, Nação Zumbi (2005)
19) Outubro ou Nada, Bidê ou Balde (2002)
20) À Procura da Batida Perfeita, Marcelo D2 (2003)
Lista do Scream & Yell Internacional
01) Is This It, The Strokes (2001)
02) Yankee Hotel Foxtrot, Wilco (2002)
03) Funeral, Arcade Fire (2004)
04) Songs For The Deaf, Queens of The Stone Age (2002)
05) In Rainbows, Radiohead (2007)
06) Sound of Silver, LCD Soundsystem (2007)
07) Kid A, Radiohead (2000)
08) Franz Ferdinand, Franz Ferdinand (2004)
09) Yoshimi Battles The Pink Robots, The FLaming Lips (2002)
10) White Blood Cells, White Stripes (2001)
11) Back to Black, Amy Winehouse (2006)
12) Elephant, White Stripes (2003)
13) XTRMNTR, Primal Scream (2000)
14) Modern Times, Bob Dylan (2006)
15) LCD Soundsystem, LCD Soundsystem (2005)
16) Hot Fuss, The Killers (2004)
17) Turn on the Bright Lights, Interpol (2002)
18) Stories from the City, Stories from the Sea, Pj Harvey (2000)
19) Chaos and Creation in the Backyard, Paul McCartney (2005)
20) American IV: The Man Comes Around, Johnny Cash (2002)
50 melhores discos da década feita pelo NME:
1. The Strokes – “Is This It”
2. The Libertines – “Up The Bracket”
3. Primal Scream – “Xtrmntr”
4. Arctic Monkeys – “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not”
5. Yeah Yeah Yeahs – “Fever To Tell”
6. PJ Harvey – “Stories From the City, Stories From the Sea”
7. Arcade Fire – “Funeral”
8. Interpol – “Turn On The Bright Lights”
9. The Streets – “Original Pirate Material”
10. Radiohead – “In Rainbows”
11. At The Drive In – “Relationship Of Command”
12. LCD Soundsystem – “The Sound Of Silver”
13. The Shins – “Wincing The Night Away”
14. Radiohead – “Kid A”
15. Queens Of The Stone Age – “Songs For The Deaf”
16. The Streets – “A Grand Don’t Come For Free”
17. Sufjan Stevens – “Illinoise”
18. The White Stripes – “Elephant”
19. The White Stripes – “White Blood Cells”
20. Blur – “Think Tank”
21. The Coral – “The Coral”
22. Jay-Z – “The Blueprint”
23. Klaxons – “Myths Of The Near Future”
24. The Libertines – “The Libertines”
25. The Rapture – “Echoes”
26. Dizzee Rascal – “Boy in Da Corner”
27. Amy Winehouse – “Back To Black”
28. Johnny Cash – “Man Comes Around”
29. Super Furry Animals – “Rings Around The World”
30. Elbow – “Asleep In The Back”
31. Bright Eyes – “I’m Wide Awake, It’s Morning”
32. Yeah Yeah Yeahs – “Show Your Bones”
33. Arcade Fire – “Neon Bible”
34. Grandaddy – “The Sophtware Slump”
35. Babyshambles – “Down In Albion”
36. Spirtualized – “Let it Come Down”
37. The Knife – “Silent Shout”
38. Bloc Party – “Silent Alarm”
39. Crystal Castles – “Crystal Castles”
40. Ryan Adams – “Gold”
41. Wild Beasts – “Two Dancers”
42. Vampire Weekend – “Vampire Weekend”
43. Wilco – “Yankee Hotel Foxtrot”
44. Outkast – “Loveboxxx/The Love Below”
45. Avalanches – “Since I Left You”
46. The Delgados – “The Great Eastern”
47. Brendan Benson – “Lapalco”
48. The Walkmen – “Bows and Arrows”
49. Muse – “Absolution”
50. MIA – “Arular”
* Eu sei que a década 00 só termina em 2010, mas … e daí?
Voltando a postar, mesmo correndo contra o tempo e tendo de fazer trocentas coisas ao mesmo tempo. Mas vamos lá, teremos muito tempo a sete palmos do chão. Li recentemente dois textos que retratam a caretice de nossa juventude. São radiografias de gêneros distintos, mas que perpassam o mesmo fenômeno: nossa sociedade está mais conservadora. Você pode dizer que isso sempre foi assim. Pode ser. Mas quando são os jovens que assumem essa postura é algo que, pelo menos para mim, preocupa.
Os exemplos aqui citados referem-se ao campo da cultura. A internet merece um capítulo a parte, com seu efeito de encapsulamento e o excesso de “virtualismo” das relações. Quando se leva a discussão para o campo da política, a questão se acentua. Sem ditaduras, fica difícil dizer contra quem lutar. Para muitos, não há mais nada a ser feito, resta apenas se dar bem, do jeito que for. Quem serão os malditos do século XXI? Precisamos mais que nunca deles hoje. Quem se habilita?
***
O rock brasileiro precisa morrer, por Vladimir Cunha
Tecnicamente o rock é um negócio limitado pra caralho. E justamente por conta disso ele sempre foi movido por sua capacidade de gerar possibilidades, sejam elas de fuga ou de auto-afirmação. O poder mobilizador do rock não está em uma resposta consciente a uma determinada construção simbólica. A música não arrebata ou emociona pelo seu aspecto formal e sim pelas possibilidades de criação que permite ao ouvinte. Nos últimos 50 anos, o que o rock pôde oferecer nesse sentido sempre foi mais interessante do que aquilo que ofereceu como expressão artística. É o que explica a sua necessidade de reinvenção e conflito consigo mesmo na qual está metido desde que, dos anos 60 em diante, gerações de músicos floresceram negando umas às outras, conflitando símbolos e pontos de vista, oferecendo aos ouvintes um ciclo contínuo de morte e renascimento.
Foi preciso que a Invasão Britânica fornecesse um novo ponto de vista ao rock’n’roll para que, a partir dela, todos os sub-estilos do rock se desenvolvessem na segunda metade dos anos 60. E quando os códigos e paradigmas dessa mesma geração se transformaram na pretensão vazia e elitista do rock progressivo – que fornecia escapismo, mas não diversão e catarse – surge o punk rock, pronto para criar um novo horizonte de possibilidades para os jovens sem futuro de todo o mundo. Quando não se tem isso, trata-se apenas de música pop no seu pior sentido, um produto da indústria do entretenimento com propósito e vida útil bastante definidos.
Agora imagine que você é um garoto de 12 anos, ainda meio confuso com os pentelhos crescendo, as espinhas na cara e o súbito interesse nas meninas da rua, curando com muita punheta e site de mulher pelada o fato de que todas elas te acham um zé-mané. Você não é mais criança, mas também não é adulto e precisa encontrar uma trilha sonora decente para esse período de turbulência. Você sintoniza uma “rádio rock” qualquer, liga a TV e ai vem a pergunta: que possibilidades de criação, revolta e catarse oferece a você o rock brasileiro dos anos 00?
Provavelmente nenhuma. Essa foi a única resposta que passou pela minha cabeça enquanto via a banda Cine lançar o clipe de “Garota Radical”, seu primeiro single, uma overdose de cores cítricas e penteados mirabolantes na qual os músicos são apresentados como se fossem caixas de sabão em pó. A produção profissional e higiênica ocupa tanto espaço que não existe aqui nenhuma brecha para a criação de um novo olhar. Mas, espertamente, e por ser um produto voltado para adolescentes do sexo feminino, a imaginação foi deliberadamente substituída pela fantasia, seja ela sexual ou afetiva.
É assim que se apresenta o rock brasileiro nos anos 00: como um veículo de satisfação imediata, que por ser baseado em regras de mercado, e não em imaginação e força criativa, não possibilita o estabelecimento de um novo paradigma ou de uma nova percepção. NXZero, Fresno, CPM 22, Leela, Capital Inicial, Cachorro Grande… todos esses grupos apresentam-se apenas como produtos da indústria cultural e como uma caricatura de transgressão e não como proponentes de novas possibilidades de criação.
(…)
Pra mim o rock brasileiro acabou em 1991, quando Paralamas do Sucesso e Titãs lançaram os seus piores discos até então, respectivamente “Os Grãos” e “Tudo Ao Mesmo Tempo Agora”.
Logo depois, o Nirvana dominou o mundo. Em comparação com o trio de Seattle, QUALQUER rock feito no Brasil soava anacrônico, mofado e desprovido de sentido (Sepultura corria por fora e é uma outra história). O Capital Inicial e a infame “Mickey Mouse em Moscou’ só nós deram mais certeza de que, naquele momento, era necessário virar as costas para o país.
Foram precisos três anos, duas bandas de Pernambuco, quatro moleques de Brasília e um bando de maconheiros do Rio de Janeiro para que fosse possível confirmar a viabilidade de uma música pop genuinamente brasileira. O mangue bit, os Raimundos e o Planet Hemp mudaram tudo ao cruzar gêneros, desafiar convenções de mercado e estabelecer um novo padrão de composição, que fugia do rock, se aproximava do rap e tinha como referência as contradições das grandes cidades brasileiras. Suicidal Tendencies e forró, hip-hop e a malandragem da Lapa, skate e maracatu. Ídolos pop de uma linhagem suburbana, a continuação pós- moderna do imigrante que enxerga a metrópole a partir de uma perspectiva muito particular.
Cabelo carapinha, pele escura e dreadlocks em choque com o arianismo gélido e encapotado do rock dos anos 80.
Mas a onda que quebraria com toda a força em 1994 recuou e se diluiu, ainda que seus respingos estejam por aí. E o ciclo de destruição pop se repete quando a música jovem feita hoje no Brasil, pelo menos a que se impõe no mainstream, surge da negação da década passada ao abraçar o rock tradicional da mesma maneira que a geração dos anos 80. O som é californiano e o padrão estético a ser perseguido não está na periferia das cidades brasileiras e sim nos subúrbios norte-americanos; sejam eles reais, idealizados ou mesmo replicados de maneira pobre nos condomínios de São Paulo e da Barra da Tijuca.
A saída pode estar na nova eletrônica brasileira do Montage, dos tecnobregas de Belém do Pará e do Bonde do Rolê ou até mesmo na nova MPB feita pela vanguarda paulistana liderada por Curumin, Céu, Lucas Santana e Fernando Catatau. Mas mesmos estes parecem pequenos e segmentados demais para fazer algum barulho fora do gueto chique da Vila Madalena. Enquanto isso, o rock brasileiro – ou o pop, caso seja preciso usar um termo mais amplo – continua devendo uma nova possibilidade de criação e uma nova construção de significados. Só assim será possível dar vazão à vontade adolescente de gritar que o mundo é uma merda.
++++
Broxante, por Marcelo Paiva
Me explicaram ontem o sucesso da saga CREPÚSCULO, que esgota livros e lota os cinemas.
Fiquei chocado.
Trata-se da história de vampiros virgens, politicamente corretos e vegetarianos, escrita por uma autora conservadora MÓRMON.
O vampiro gato só vai morder e chupar o sangue da gatinha depois de se casar com ela [NO TERCEIRO LIVRO]. Apesar dos apelos dela no SEGUNDO livro.
Nem o LOBISOMEM papa a mocinha, por respeito aos bons valores do celibato.
E não comem carne de animais, apenas chupam o sangue deles.
O livro-filme é adotado pela onda conservadora que varre a nova geração, que retoma o tabu da virgindade.
É uma afronta ao espírito libertário e provocador do personagem vampiresco, que suga o sangue das virgens e as amaldiçoa, arquétipo europeu comum à civilização ocidental e da modernidade, síntese da luta desejo versus moral.
E o galã do filme é considerado o ator mais sexy do momento. Então as menininhas assistem à LUA NOVA, babam e se recolhem.
Ainda bem que vim de outra geração.
VIVA MICKEY ROURKE!!!
Letras de música são um passaporte para que muita gente boa conheça algumas palavrinhas a mais em inglês. A finada Bizz mantinha uma seção de letras traduzidas que resultou, depois, em edições especiais inteiras. A MTV, por sua vez, mantém um programa nesse sentido, que acavou, mas foi reformulado. Há muitos e muitos anos, havia um programa de vestibular na TV Cultura, em que um professor de cursinho usava Under the Bridge, do Red Hot, como material didático (quem se lembra?).
É interessante perceber que aquela música que a gente tanto gosta de ouvir às vezes tem uma letra horrível. Ou então, por desconhecimento do idioma, se ver cantando “Está chovendo homemmm….” ou “Não gosto de homem do p.. pequeno”. It happens.
Algumas bandas, como o Oasis, são boas porque te fornecem uma apreensão imediata. O próprio Noel já disse várias vezes que não gosta muito de escrever as letras e por isso lasca umas coisas nonsenses. Mas há aquelas que forçam o nosso conhecimento básico da língua de Walt Whitman. REM, Beck e Arctic Monkeys são alguns desses exemplos. Não dá pra ouvi-los sem um bom dicionário do lado. Isso sem falar no que diabos eles querem dizer com certas frases. Quer ver?
Crying Lightning
Arctic Monkeys
Sat in the café by the cracker factory,
He were practising on magics trick,
And my thoughts got rude, as you talked and chewed,
On the last of your pick and mix.
Said your mistaken if you thinking that I am gun go cold before
As you bit into your strawberry lace,
And then a flip in your attention in the form of a gobstopper,
Is all you have left and it was going to waste.
Your past-times, consisted of the strange,
And twisted and deranged,
And I love that little game you had called,
Crying lightning,
And how you like to aggravate the ice-cream man on rainy afternoons.
Cold Brains
Beck
the fields of green
are bent, obscene
i lay upon the gravel
a worm of hope
a hangman’s rope
pulls me one way or the other
a final curse
abandoned hearse
we write this song
corroded to the bone
a bird of song
is heard no longer
in the evacuated heavens
the drain is drawn
and drained and gone
and on and on, it doesn’t matter
Orange Crush
R.E.M.
We’d circle and we’d circle and we’d circle to stop and considerand
centered on the pavement stacked up all the trucks jacked upand
our wheels in slush and orange crush in pocket and all this herecounty
hell any county it’s just like heaven here and I was rememberingand I
was just in a different county and all then this whirlybird thatI
headed for I had my goggles pulled off I knew it all I knew everyback
road and every truck stop
Do site Ilustrada no Pop:
“24/07/2009
De volta aos 90
Capa do Segundo Caderno de “O Globo” de hoje, assinada por Leonardo Lichote, fala dos 15 anos do “Da Lama ao Caos“, o disco de estreia de Chico Science e Nação Zumbi, que, numa boa sacada, ele chama de “‘Chega de Saudade’ da geração anos 1990″.
Na matéria, tem uma boa frase do Lucio Maia: ”O rock brasileiro dos anos 80, de uma forma geral, virou as costas para o Brasil. A onda era imitar bandas inglesas e americanas. ‘Da Lama ao Caos’ é uma ode à música brasileira, a proposta de uma nova forma de tocar coco, maracatu, ciranda, samba”.
Isso me fez lembrar de uma discussão que tivemos por aqui na época em que fizemos uma lista dos 50 principais discos brasileiros para comemorar os 50 anos da Ilustrada: a década de 90, em especial a primeira metade (e, em particular, o ano de 1994), foi sensacional para o pop/rock brasileiro – e, desde então, minha impressão é de que não houve mais nada parecido por aqui, em termos de sucesso popular, de impacto cultural, de tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo.
Há exatos 15 anos, em 94, saíram “O Rappa”, “Raimundos”, “Calango” (do Skank) e “Sobre Todas as Forças” (do Cidade Negra), além do “Da Lama ao Caos”; no ano seguinte, sairiam “Usuário”, do Planet Hemp, e “Lavo Tá Novo”, do Raimundos; mais um ano, 96, e saíam “Rappa Mundi”, “Afrociberdelia” (CSNZ) e “Samba Poconé” (do Skank). E isso são os que eu lembro assim, de cabeça, porque, pesquisando, certamente aparecem mais. Enfim, foi uma fase realmente gloriosa para o pop/rock nacional. Assisti a incontáveis shows de toda essa galera, boa parte desde o início das carreiras. Havia a impressão de um movimento, de camaradagem entre as bandas (várias tocaram juntas), uma “cena”, digamos.
Talvez essa impressão seja um tanto saudosista, coisa de quem foi adolescente nos anos 90. Mas, agora que estamos prestes a fechar a década 00, será que houve um momento similar a esse de 94 a 96? Quem foram os Planet Hemp, Nação Zumbi, Rappa, Raimundos, Skank dos anos 00? Tenho uma certa dificuldade em identificá-los, devo admitir.”
Comentário meu – Pergunta difícil, hein? Com certeza, Los Hermanos entram nessa lista, fácil, fácil. Mas quem mais?
Nos últimos dias, a banda francesa de rock Phoenix não sai do meu celular. Conhecia uma música e outra do grupo (graças aos filmes da Sofia Coppola), lia resenhas favoráveis, mas nunca havia me interessado em ir além disso. Em busca de novas músicas para ouvir correndo, decidi vasculhar os arquivos da banda no Youtube. Fiquei impressionado. É um pop-rock muito bem-feito, sofisticado sem ser pedante e que nunca subestima a inteligência do ouvinte. Algo bem diferente dessas bandas que têm por aí que insistem em repisar a mesma coisa, com cascas diferentes.
Li no blog do Lúcio Ribeiro que nessa época de crise eles estão fazendo um baita sucesso nos EUA. Os shows estão lotados e o novo disco deles, Wolfgang Amadeus Phoenix, está tocando bem nas rádios. Não duvido disso. A música do Phoenix é um popzinho feito pra pessoa ser feliz, dançando ou balançando a cabeça por aí. Tem uns arranjos um pouco mais elaborados, mas sem perder a pegada radiofônica. Para quem não foi muito com a cara do novo CD do Franz Ferdinand, taí uma boa pedida.
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O jeitão das músicas do Phoenix me parece algo cada vez mais raro de se ouvir. A cultura atual exige que as coisas sejam mastigadas ao extremo. Pensar tornou-se um sofrimento terrível para as grandes audiências. Pena. Um mundo ainda mais embrutecido é justamente o que não precisamos. Isso sem falar nos malditos revivals. Por muito tempo, não conseguia ouvir Kaiser Chiefs por causa de sua extrema semelhança com o Blur. É como se a indústria fonográfica quisesse fornecer uma sonoridade semelhante, que já fez sucesso, para as novas gerações que, pela sua pouca idade, consideram os velhos truques de outrora a coisa mais nova do mundo.
Será que essa novidade trazida pelo Phoenix tem a ver com o fato de eles serem franceses, de beberem em outras fontes que não as angloamericanas? Não sei, mas a hipótese é bastante provável, haja vista os bons exemplos de seus compatriotas, como Justice, Air, Daft Punk e um cara ainda bastante desconhecido por aqui, mas que gosto muito: -M-. Esse é outro que não sai da minha playlist. Ao contrário do Phoenix, ele canta em francês mesmo. Assim como o Phoenix, produz um pop extremamente agradável de se ouvir, alternando passagens melódicas com momentos mais guitarrados. Tudo isso sempre na dose certa.
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Desde que morreu, Michael Jackson tornou-se um convidado indesejado em minha casa. Está na TV, na Internet, no sofá, come meus biscoitos e fica fazendo minha mulher chorar. E olhe que ele não estava nem em seu auge artístico. Pelo contrário, iria fazer uma série de shows para tentar se reerguer. Às vezes uso as pessoas que estão ao meu lado como objetos de investigação social. O meu ponto de partida é: se isso está ocorrendo aqui em casa, certamente deve estar se repetindo em uma multidão de casas espalhadas por aí. A pergunta que me vem à cabeça então é a seguinte: por que isso ocorre? Pelo texto, você pode observar que o Michael Jackson também está presente em minha cabeça. Ok, vamos tentar exorcisá-lo.
Há algumas hipóteses para que esse fenômeno aconteça. Vamos a elas:
a) A famigerada Indústria Cultural. MJ vende. Isso é fato. Tudo o que se refere a ele, hoje, chama atenção e pede para ser consumido. Programas de TV, revistas, livros, posteres etc. A constatação desse fato, no entanto, não nos ajuda a entender o porquê de ele vender tanto.
b) Somos fascinados por celebridades. MJ é um mito moderno, construído ainda criança. A criança pobre, negra e multitalentosa. Quem não se comove com essa história? Quem não reconhece nela traços do herói mítico? Por uma razão psicológica, tendemos a nos identificar com esses relatos, a nos afeiçoar por essas pessoas. Afeição gera interesse. Interesse gera concentração de tempo em determinado ponto. Quanto mais interesse, mais concentração. Isso leva ao ponto três.
c) Nossa sociedade tem uma necessidade (criada) de alimentar esse tipo de comportamento. É algo tão forte que impregna nosso cotidiano, se infiltra em nossas rodas de conversa, adentra nossas casas e nos faz coparticipantes de megavidas. Tentativa de fugir da banalidade de nossas vidas? Bastante possível. Mais que uma imposição mercadológica, me parece que esse culto às personalidades funciona como um elemento integrador, como algo que dá liga às existências individuais, que une segmentos sociais diversos. Isso dá sentido à vida das pessoas. E tudo que dá sentido é muito difícil ser mudado, vide as religiões e as ideologias. E tudo que se ancora no que dá sentido gera repercussão. Como se vê, o buraco é bem mais embaixo.
Segue, abaixo, textos que tratam do tema:
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Carlos Eduardo Lins da Silva, ombudsman da Folha.
“O fascínio com a celebridade se manifestou na cobertura do show da morte de Michael Jackson. A Folha deu mais espaço e destaque a ele do que os jornais americanos. A obsessão pela celebridade, muito bem retratada no filme indicado abaixo, parece estar se tornando marca registrada deste jornal, que em princípio é de referência.
A Folha está antenada com o seu tempo. No magistral livro recomendado ao lado, Richard Sennett descreve como a sociedade ocidental ao longo dos séculos 19 e 20 foi se deixando dominar pelo narcisismo desregrado que privatizou definitivamente a existência social. E Sennett escreveu seu trabalho há 30 anos, antes dos facebooks e blogs.
Metódica e documentadamente, Sennett mostra como a incivilidade tomou conta das relações sociais a ponto de só o que é pessoal, individual, referente aos sentimentos íntimos (especialmente os das estrelas) interessar.
No mundo contemporâneo, a aprovação ou a censura se dirigem aos atores, não às ações. “O que importa não é tanto o que a pessoa fez, mas como ela se sente a respeito.”
Em todas as esferas. Na política, por exemplo, “o líder carismático moderno destroi qualquer distanciamento entre os seus próprios sentimentos e impulsos e aqueles de sua plateia e, desse modo, concentrando os seus seguidores nas motivações que são dele, desvia-os da possibilidade de que o meçam pelos seus atos”.
A mídia eletrônica, ensina Sennett, insufla esse ânimo coletivo que exige dos famosos um “strip-tease psíquico” público permanente (no caso de Michael Jackson, chega até o túmulo). E o faz porque a sociedade assim deseja. O jornalismo impresso deveria ser um contraponto de civilidade. É uma pena que esta Folha pareça se recusar a exercê-lo.”
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BBC Brasil 14/08/2003
Culto a celebridades pode trazer sucesso, dizem cientistas
Ler revistas sobre a vida de celebridades pode parece futilidade à primeira vista, mas de acordo com cientistas, o hábito pode servir como um antídoto para uma vida de sucesso. Biologistas dizem que é natural para os seres humanos prestar atenção em indivíduos que são notícia por serem bem sucedidos socialmente. Na pré-história, isto poderia significar o respeito aos bons caçadores e aos mais velhos. Mas a caça, hoje em dia, não significa mais qualidade, e a longevidade é mais facilmente alcançada. Com isto, estas qualidades não são mais alvo de cobiça.
Artistas
No momento, nós olhamos para as celebridades, na busca pelo sonho da fama e da fortuna. O antropologista Francesco Gill-White, da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, disse à BBC: “Faz sentido para você qualificar as pessoas pelo grau de sucesso que ele conquistaram dentro dos valores que você almeja”. Para a biologista Robin Dunbar, da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, acompanhar a vida das celebridades não significa que eles serão necessariamente seu modelo para tudo. “Nós ficamos fascinados mesmo quando nós não os copiamos.”
O biologista disse que as pessoas acompanham os passos das celebridades porque elas ganham muito dinheiro da sociedade, e por isso, gostam de saber como estas pessoas investem suas posses. Alguns psicólogos, no entanto, questionam se a síndrome de acompanhar as fofocas sobre as celebridades é mesmo uma boa ação.
Sinais
Para alguns especialistas, este costume pode ser um sinal de que indivíduos encontraram uma forma fácil de criar relacionamentos imaginários com pessoas famosas, em vez de se dedicar a pensar em relacionamentos com pessoas do seu dia-a-dia. Este comportamento, segundo os psicólogos, pode ser um sinal de depressão e de ansiedade. A forma extrema de seguir a vida de celebridades pode se transformar em obsessão e potencialmente em um perigo, já que algumas pessoas começam a acreditar que precisam viver mais próximos de seus ídolos. Mas especialistas dizem que estas pessoas formam apenas um pequeno grupo.
***************
Guy Debord, Sociedade do Espetáculo
1
Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai na fumaça da representação.
2
As imagens fluem desligadas de cada aspecto da vida e fundem-se num curso comum, de forma que a unidade da vida não mais pode ser restabelecida. A realidade considerada parcialmente reflete em sua própria unidade geral um pseudo mundo à parte, objeto de pura contemplação. A especialização das imagens do mundo acaba numa imagem autonomizada, onde o mentiroso mente a si próprio. O espetáculo em geral, como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não-vivo.
3
O espetáculo é ao mesmo tempo parte da sociedade, a própria sociedade e seu instrumento de unificação. Enquanto parte da sociedade, o espetáculo concentra todo o olhar e toda a consciência. Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido e da falsa consciência; a unificação que realiza não é outra coisa senão a linguagem oficial da separação generalizada.
4
O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediatizada por imagens.
Foto: Wikipedia.

Michael Jackson morreu. Soube da notícia de modo enviesado, enquanto tentava dar um jeito no quadro de energia queimado do apartamento. Ouvi, no apartamento de um vizinho, o William Bonner dizer que MJ estava louco e achei estranho. “Meio louco ele já era há algum tempo”, raciocinei. A informação da morte só foi confirmada pela minha mulher, que ouvira no rádio do carro, enquanto esperava a energia voltar à nossa casa. Para quem está na faixa dos 30, não houve jeito de passar incólume por MJ. Ele, com certeza, foi o Elvis de nossa geração.
Minha primeira lembrança do Rei do Pop deu medo. Lembram da época em que o Fantástico era o canal em que os clipes eram exibido em primeira mão? Pois bem, em um domingo à noite, há muitos anos, Thriller fez sua estreia no Brasil. A historinha começava boba, com o MJ tentando ficar com aquela menina. Depois, os mortos-vivos começaram a despertar e a dançar ao som da música. O que era mais uma silly love song transformou-se em um conto de horror. Lembro que aqueles zumbis me deixaram muito assustado. Assisti a um pedaço considerável do clipe embaixo da cama, com medo. E aquela risada do Vincent Price no fim? Como dormir sossegado depois de tudo aquilo?
Nos anos seguintes, vieram Bad, Black & White e o ícone foi se esvaziando criativamente. Sua figura só nos servia para dar risadas, diante de um vagalhão de bizarrices. Pena. Tal como Elvis, MJ foi tragado pela máquina de criar ídolos. O assunto foi tema de uma interessante reportagem da Super (vão lá no site ler).
Ainda que de um modo atravessado, MJ foi muito importante para os negros americanos e de todo o mundo. Seja encarnando a figura que fundiu a música black com o pop, seja na forma do astro contestado pelo enbraquecimento. MJ certamente abriu as portas para muita gente que veio por aí, para os megarappers, para a consolidação de uma cultura surgida nas ruas. Michael Jackson, rest in peace!
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Por falar em celebridades, olhe só que estudo legal. Esse é um daqueles que parece não servir pra nada, mas que revela muito sobre o nosso comportamento. Os resultados conseguem responder algumas perguntas que às vezes me faço:
Da Folha Online
24/06/2009 – 11h04
Estudo explica como celebridades mantêm a fama sem realizar trabalho relevante
da New Scientist
A febre em torno das Spice Girls já passou há alguns anos, mas Victoria Beckham (a “Posh Spice”) continua a ter grande exposição na mídia. E Paris Hilton, que faz “sucesso” apenas por seu estilo de vida, está constantemente nas manchetes dos tabloides. Um novo estudo ajuda a explicar porque algumas pessoas ficam em evidência por tanto tempo, mesmo depois que seu trabalho “murcha”.
De modo simples, afirma Nathanael Fast, da Universidade de Stanford (EUA), as pessoas precisam de algo para conversar. O desejo humano de encontrar pontos em comum nas conversas faz com que escolhamos falar sobre alguém já popular, diz.
(…)
Para determinar se a comunicação entre as pessoas poderia levar à fama, independente da qualidade do trabalho, a equipe de Fast deu a 89 voluntários (33 homens e 56 mulheres) uma lista com oito jogadores, contendo as estatísticas sobre eles na temporada anterior.
Os voluntários escolheram um nome da lista e enviaram um e-mail sobre aquele jogador para outra pessoa do grupo. A ação mais frequente, dizem os pesquisadores, era as pessoas enviarem mensagens sobre jogadores como Ken Griffey Jr e Roger Clemens, famosos no país, do que sobre Miguel Cabrera, que apresentava números muito melhores.
“Mesmo as pessoas que entendem muito do esporte e poderiam informar as outras não fazem isso. Na realidade, eles continuam disseminando as informações que as pessoas já têm para manter a comunicação“, diz o pesquisador. Para os pesquisadores, esse fenômeno gera um fenômeno “circular”. Pessoas proeminentes continuam populares por mais tempo do que deveriam porque servem como “alimento” para a comunicação entre as pessoas, o que influencia a cobertura da mídia, afirma a equipe.
Há poucas semanas, o site Scream&Yell fez uma retrospectiva dos discos do Radiohead. Pouco antes de ser publicada a resenha do Amnesiac, fiquei na vontade de escrever algo sobre o disco. Fiz um esboço, mas ele não chegou a ser enviado, por puro preciosismo meu. Vou colocá-lo aqui mesmo no blog, sem uma terceira revisão, para avaliação de quem estiver de passagem. Para quem não ouviu, uma coisa é certa: Amnesiac faz mais sentido hoje do que à época em que foi lançado. Coisas de Radiohead.
Onde nenhuma banda pop jamais esteve ou o disco de cabeceira de HAL-9000
Com os álbuns Kid A e Amnesiac, o Radiohead atingiu um estágio diferenciado na música pop, beirando a fronteira entre o esquizofrênico e o palatável. Se Kid A, como dizem alguns, serviu de trilha para a Bruxa de Blair, Amnesiac caberia sem problemas em 2001: Uma Odisséia no Espaço. Uma tentativa de caracterização do som de Amnesiac tem de passar pelo conceito de pós-humano, da complexa interação entre o homem e sua extensão via tecnologias de informação.
Mais que em Kid A, Amnesiac extrapola a níveis quase insuportáveis a sensação de angústia, solidão e frieza causada por um mundo habitado somente por um Wall-E e seu cassete. Em termos geográficos, pode se dizer que o álbum é um single cercado de experimentações por todos os lados.
Alguns podem dizer que a afirmação acima trata-se de um exagero e que muitos outros músicos romperam essa barreira humano/máquina, melodia/cacofonia. É verdade e taí toda uma geração dissonante para provar. Mas quem tem essa coragem na música pop atual? De 2001 para cá, quem assumiu esse risco? Sons sujinhos impregnados da saudade dos 80′s, cardápio de quase toda bandinha wannabe não vale.
Nem mesmo o Radiohead seguiu adiante o caminho proposto por eles mesmos. Após Amnesiac, a banda voltou com Hail to the Thief, um disco mais “normal”, inserido no mundo real (pós-11 de Setembro), valendo-se de guitarras e melodias um pouco mais assobiáveis. In Rainbows, por sua vez, funciona mais como uma transição natural de Ok Computer, ou seja, era o disco que os fãs esperavam em 2000.
A clareira foi aberta e pode-se ver alguns de seus clarões. Quem se habilita a entrar?



Gosto de Radiohead há uns dez anos. Ouvi falar deles quando entrei no curso de Comunicação. Ouvia trechos de músicas nas lojas de CDs (não havia Youtube na época), mas o Ok Computer não me entrava. Comprei o The Bends e fiquei fascinado. Abria-se a porta para a sonoridade do OK, adquirido pouco tempo depois. De lá para cá, tenho todos os discos. Comprei o último, In Rainbows, pelo site. Paguei umas três libras para dar apoio à proposta da banda. Quando soube que eles vinham para cá, fiquei doido. Comprei o ingresso e me preparei para viajar em uma daquelas promoções de R$ 50 das áereas. Minha mulher resolveu ir e transformamos, então, o show em um estadia turística no Rio de Janeiro.
Quinta à tarde, programação de turista: subir o Cristo Redentor. Pois não é que sobe no trem para o Concorvado quem? Thom Yorke em pessoa, compositor e vocalista do Radiohead. Imagine a emoção. Minha, né, porque o cara tava com a maior cara de poucos amigos. Quando o trem chegou, um cara abordou pedindo uma foto. Ele foi educado, mas se recusou. Em seguida, começou a se esquivar dos flashes, virando a cabeça ou sempre tinha um cara na frente. Antipatia? Estrelismo? Proteção da imagem? Não sei. Sei apenas que esse foi um dos motivos de não querer atuar no jornalismo cultural. Você passa a conhecer seus ídolos de perto e em muitos casos, descobre que eles têm pés de barro.
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Sei que o show foi muito bom, bom mesmo. Acabei com uma cara de felicidade sem tamanho. Todo mundo tem sua música favorita. Estava pensando em uma, que gosto de ouvir no carro, mas não é uma das mais badaladas. Pois não é que tocou? You and whose army… Não deu pra segurar, fiquei lá na arquibancada cantando feliz da vida a plenos pulmões, tanto que fiquei rouco depois. We ride tonight, ghost horses…
Além do mais, ao contrário do caos ocorrido em São Paulo, o metrô funcionou bem e deu pra voltar para o hotel na maior tranquilidade. Dez para a organização carioca. Valeu, Thom. Valeu, Rio!

Tiro o chapéu aos baianos. Em meio à fama de folões, esconde-se uma máquina de gerar dinheiro, profissional e bem azeitada. Fiquei espantado ao ver a Cláudia Leitte cantando em um cenário com letreiros eletrônicos, plataformas e toda aquela multidão que estamos acostumados a ver. Coisa de megashow.
E a devoção ao Chiclete com Banana? Expressa em abadás, camisas, CDs, DVDs, bandanas. Tudo associado, fazendo o dinheiro circular livre pelas ruas de Salvador. Festa popular, expressão do povo? É ruim, hein?
Imagine quantas pessoas suam a camisa e faturam alto nos dias de carnaval, que se estende por todo o ano sob a forma de micareta?
O carnaval baiano é um modo de vida replicado, cujo produto final e implícito (segundo seus promotores) é felicidade, liberdade, beijo na boca e a sensação de fazer parte de algo imenso.
Quem não pagaria por isso?


