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Um cinema às três da tarde é o lugar mais seguro para um encontro escondido, para os amores secretos – por qualquer motivo – e para fugir a uma obrigação inadiável.
GM em entrevista a Geneton Moraes Neto.
Vi no Twitter a indicação de vários livros sobre comunicação para download gratuito e resolvi conferir mais de perto. O que mais me chamou atenção foi um cujo nome é Realidade Origami. Não precisa nem dizer que esse conceito me pareceu muitíssimo interessante. Ao ler a obra, no entanto, vi que o estudo não se aprofundava nessa questão, mas tão somente em refazer o percurso do conceito de Verdade na filosofia ocidental. Creio que a noção de uma realidade origami mereça um trabalho de reflexão mais amplo, que possa ir além desse nosso viés racionalista. Adotar uma perspectiva de maior integração com tudo o que nos rodeia talvez seja um caminho mais fecundo, assim como ocorre com os haicais emr elação à natureza. Decidido a encarar o desafio, fui saber mais sobre origamis. Em japonês, essa palavra significa Dobrar (Ori) Papel (Kami). A expressão soa banal? Pois saiba que Kami é a mesma palavra usada para Deus. Ou seja, na língua japonesa um papel em branco está situado no mesmo campo semântico do Criador. A história começa a ficar interessante…
Para os nipônicos, o papel tem tanta importância que a palavra é a mesma que Deus: Kami. Mas, apesar da palavra ser igual, os ideogramas são diferentes. Isto porque, na época da invenção do papel, há cerca de 2.000 anos, o papel era uma preciosidade. “As primeiras dobraduras eram simbólicas e eram oferecidas aos deuses”. Segundo historiadores, na era Kodai, que antecede a era medieval japonesa, o Estado e a religião eram unos e o origami era empregado em ocasiões como coroações e casamentos.
A etapa mais importante na elaboração de um origami talvez seja a primeira dobra.
“No origami a primeira dobradura deve ser muito bem feita, para que o papel possa ficar em pé. Assim também é na vida. As crianças devem receber uma boa educação pois se não têm uma boa estrutura não conseguem parar em pé”, ensina Kazuko Horiuchi, professora de origami.
Feita a dobra inicial, tem-se então um universo de possibilidades literalmente à mão de quem dobra o papel. Essa experiência de criação traz em si algo de desafiador. “E se eu dobrar desse jeito e não daquele?” Ainda que a dobra possa ser desfeita, sua marca permanecerá. Ou seja, cada ato tem sua repercussão e leva a um caminho diferente. Perpassa a filosofia do origami uma ética da responsabilidade. O que não implica, necessariamente, em algo pesado ou árduo. Isso é especialmente verdade quando do resultado final do trabalho. Por mais bonito, por mais interessante que seu origami seja, ele é feito de papel, um material bastante delicado, frágil e cuja vida útil pode ser bastante curta. Essa característica efêmera do origami, no entanto, não é nenhum impedimento para sua realização. Pelo contrário, ela nos permite ir sempre além, em busca de novas formas:
Para quem, como eu, passa a maior parte de seu tempo pensando – lendo e escrevendo – o origami é uma forma divertida e prazerosa de meditar. Minha mente se esvazia do árduo trabalho de compreensão do texto, de ordenação das idéias, de articulação de pensamentos, de reflexão, enfim. No vazio das palavras, minha mente descansa. Isto é tão verdadeiro que quando, por este ou aquele motivo, permaneço presa às palavras, o trabalho com o origami não dá frutos, não consigo ver o que eu devo ver, como se, naquele momento, eu não pudesse meditar…
O que me leva ao segundo ponto em que meditar e origami se encontram. Meditar, dizem, é focar, centrar a atenção em algo, basicamente o próprio ato de respirar. A mesma coisa exige o origami: centrar, direcionar nossa atenção para o diagrama. Tanto isso é verdade, que , um dia desses, me aconteceu uma experiência muito interessante. Eu estava fazendo um origami, concentrada na forma proposta em cada passo do diagrama, quando, em determinado momento, empaquei. Não conseguia ver o que devia ver.
Atabalhoadamente, usei o mecanismo de “tentativa e erro”, sem resultado. Foi quando disse a mim mesma: aquieta-te e vê. Durante alguns minutos, fixei minha atenção no diagrama, sem tentar “compreender” , sem fazer nenhum gesto, nada, apenas concentrada em “ver” o que me aparecia. De repente, meus dedos executaram o passo preciso e a forma surgiu. Simplesmente eu tinha conseguido “focar” minha atenção!
Por isso é que eu intuo que fazer origami é uma forma de meditar. Com um acréscimo, que me parece fundamental: uma dose extra de alegria, aquela alegria fresca que um dia sentimos, quando éramos crianças e simplesmente descobríamos o mundo. Porque fazer origami é nos surpreender – apesar de todo o esforço que ele nos exige, algumas vezes, pela complexidade dos modelos propostos pelos mestres – ao fazer surgir algo inteiramente novo, a partir da forma pura de um quadrado!
Particularmente, sou fascinada pelo origami modular. O ato repetido de construir 6, 12, 24, 30, 60, 120, 270 módulos , todos iguais, e o ato posterior de ir construindo uma forma, paulatinamente, até que de repente eis que surge em nossas mãos, o quê?: um sólido ponteagudo, formado de triângulos, pentágonos, hexágonos, cheios ou vazados, de formas tão variadas e tão belas… Torno-me então aquela criança que se admirava com a novidade do aparecer das coisas, uma sensação que nós, adultos, por já termos vivido tanto, temos dificuldade de sentir – sim, há algo de novo no que se repete!
Olhando o objeto entre minhas mãos, reflito – não posso fugir das palavras – de como há no origami um jogo entre formas: entre a forma primária – cada módulo – e a que se constrói na sua articulação, de tal maneira que o que aparece não é o resultado da mera junção das formas elementares mas algo novo, qualitativamente novo…E eu digo a mim mesma, feliz: Meu Deus, isso é pura dialética! E sorrio… para recomeçar outra vez e outra e mais outra…
É provável que sejam diversas as motivações de cada praticante de origami. A minha, descobri agora, é meditar… (Eridan Passos)
Falar de uma realidade origami certamente passa por essa reflexão, por uma percepção da vida como algo complexo, mas capaz de ser dobrada e recriada incessantemente com as nossas próprias mãos.
Fonte:
Os parágrafos em itálico foram retirados dos sites <http://seinensa.vilabol.uol.com.br/cultura/origami/origami.htm> e <http://www.ferrazorigami.com.br/?q=node/8>.
A luta diária pela sobrevivência às vezes torna a nossa vida um pouco chata. O segredo, creio eu, é fazer o que se gosta. Só assim dá vontade de sair da cama em uma terça-feira pós-feriadão ou voltar sorrindo das férias (cuja duração nunca coincide com nossa vontade).
Vale a pena ainda cultivar pequenos prazeres. Ver um filme que se gosta, ler um livro que nos prenda, ouvir uma música que nos arrepia de boa ou estar na companhia de quem se quer muitíssimo bem. Isso sem falar nas atividades noturnas (ou matinais) a dois, a três ou a quatro.
A transcendência como um breve gosto da eternidade se esconde aí, na suspensão do nosso tempo cotidiano, na fruição do que muitos acreditam ser coisas supérfluas, no nosso gozo secreto e incomunicável.
Viver é sentir o chão se mover sob nossos pés.
É raro, mas isso acontece. Todos os dias.
Menino de 7 anos revela para o amigo, de 3:
- No meu aniversário de 8 anos, a minha festa [o tema] vai ser do Michael Jackson.
- O meu também, responde o outro.
***
Menina de 5 anos (?) aconselha a amiga, de 3:
- Se você não fez nada de mal pra ele, ele que tem que vir se desculpar pra você. Jesus tá vendo que você não fez nada de errado.
Pense em um debate interminável este sobre a Direita e a Esquerda, na política. Há quem diga que essa divisão não existe mais. Há quem diga que essa bipolaridade continua mais forte que nunca. Embora seus contornos não estejam mais tão nítidos (pensadores liberais defendendo a intervenção estatal, políticos ditos de esquerda de braços dados com figurões da dita direita são alguns exemplos disso), no campo das ideias ainda há um resíduo muito intenso das duas ideologias.
Quem defende metas e o enxugamento da máquina estatal é visto como liberal. Quem prega a ênfase em políticas sociais obedece ao ideário socialista. Grosso modo, a repercussão dessas duas linhas mestras antagônicas parece que continua nos afetando em nosso dia-a-dia. Enquanto estivermos enredados nessas “teias” de formatação de pensamento, o embate direita-esquerda persistirá. Pelo menos, para quem pensa e crê na política como um conflito de visões de mundo. Os ladrões não se prendem a essas coisas “pequenas”.
Segue, abaixo, dois textos que me motivaram a meter a colher nesse assunto. A origem do primeiro é do blog do César Maia. A do segundo, é do blog do jornalista Denis Russo sobre sustentabilidade.
TEXTO 1 ____________________________________________________
02 de julho de 2009
“O VÍCIO DA ESQUERDA É A MELANCOLIA. O VÍCIO DA DIREITA É O CINISMO”!
Trechos do artigo de Daniel Innerarity (professor de filosofia na U. Zaragoza), Ideias para a Esquerda. (El País, 28/06)
1. O vício da esquerda é a melancolia e o da direita é o cinismo. Em geral, a esquerda espera muito da política, mais que a direita. Exige à política resultados, não só liberdade, mas igualdade. A direita se contenta com a política manter as regras do jogo. É mais procedimental, e se dá por satisfeita que a política garanta marcos e possibilidades, pois o resultado concreto não é o mais importante. Claro que ambas aspiram defender a liberdade e a igualdade. Ninguém tem o monopólio dos valores, mas a ênfase de cada uma explica suas distintas culturas políticas.
2. A diferença radicaria em que a esquerda, na medida em que espera muito da política, também tem um maior potencial de decepção. Por isso, o vício da esquerda é a decepção e o da direita é o cinismo. A esquerda aprende em ciclos longos, e só consegue se recuperar através de certa revisão doutrinária. A direita tem mais incorporada a flexibilidade, e é menos doutrinária, mais eclética, incorporando com maior agilidade elementos de outras tradições políticas.
3. Por isso, a esquerda só pode ganhar se há um clima no qual as ideias joguem um papel importante e há um alto nível de exigências que se dirijam à política. Quando isso falta, quando não há ideias em geral e as aspirações da cidadania em relação à política são planas, a direita é a preferida dos eleitores. A esquerda deveria politizar, frente a uma direita, que isso não interessa.
4. A direita vitoriosa na Europa é uma direita que promove direta ou indiretamente a despolitização e se move melhor com outros valores (eficácia, ordem, flexibilidade, saber técnico…). O que a esquerda deveria fazer é lutar em todos os níveis para recuperar a centralidade política. Hoje, o verdadeiro combate se dá em um campo de jogo que está dividido: os que desejam que o mundo tenha um formato político e outros que não lhes importaria que a política resultasse insignificante.
5. Por isso, a defesa da política é a tarefa fundamental da esquerda. A direita está comodamente instalada na política reduzida a sua mínima expressão. Para a esquerda, que o espaço público tenha qualidade democrática, é um assunto crucial, onde joga sua própria sobrevivência. A atual socialdemocracia europeia não tem nem ideias nem projetos, ou os tem em medida claramente insuficiente.
TEXTO 2 ______________________________________________
Quando eu era criança o mundo comunista ficava atrás de uma Cortina de Ferro. Hoje, se formos acreditar no texto polêmico publicado este mês pela sempre provocativa revista Wired, o novo socialismo mora dentro de um Portão Dourado: o Golden Gate, na entrada da baía de San Francisco, às margens da qual cresceu o Vale do Silício, onde ficam as sedes do Google, do Yahoo, do Facebook e de várias outras grandes empresas de internet.
O texto, chamado “The New Socialism”, foi escrito pelo grande Kevin Kelly, editor fundador da Wired nos anos 90 e membro do time que fez o fantástico Whole Earth Catalogue, a revista de contracultura dos anos 60 que inspirou 9 entre 10 visionários do Vale do Silício, inclusive Steve Jobs.
A tese de Kelly, que vai dar o que falar, é a de que o mundo está sendo invadido por um novo tipo de socialismo – o socialismo digital, fundado sobre os pilares do compartilhamento, da coperação, da colaboração e do coletivismo. E que esse novo socialismo – prepare-se – segue fielmente as regras do mercado.
“Enquanto o socialismo da velha guarda era um braço do estado, o socialismo digital é socialismo sem o estado. Esse novo tipo de socialismo opera no reino da cultura e da economia, em vez de no governo – por enquanto.”
Kelly reconhece que é arriscado usar a palavra “socialismo”, que é tão carregada, tão associada a ditaduras e a intolerância. Mas ele diz que não há outra palavra além dessa para designar uma série de tecnologias que derivam seu poder das interações sociais.
“Quando massas de pessoas que são proprietárias dos meios de produção trabalham por um bem comum e dividem entre si os produtos desse trabalho, quando eles contribuem com trabalho sem remuneração e têm direito aos frutos do trabalho sem custo, não é absurdo chamar isso de “socialismo”.”
Ele está falando de esforços coletivos como o Linux e a Wikipedia, coletivizações de bens como o Creative Commons, esforços de coperação como o Flickr e o youtube. E do potencial tremendo de essas ferramentas começarem a efetivamente mudar a sociedade. Já há sites que fazem empréstimos colaborativos – o Kiva permite que qualquer pessoa do mundo possa fazer um micro-empréstimo a alguém que precise, sem intermediários, sem bancos, com transparência, clareza sobre os riscos, de um jeito vantajoso para os dois. Há também o PatientsLikeMe, no qual pacientes compartilham suas fichas médicas e aprendem mais sobre suas doenças e seus tratamentos, tirando o monopólio da saúde das mãos de hospitais, governos e planos de saúde. E, claro, o MyBO, site colaborativo que ajudou a colocar de pé a campanha de Barack Obama e elegê-lo presidente e que agora está ajudando-o a governar.
O interessante na visão de Kelly é que ele acha que o novo socialismo não tem nada de ideológico. Na verdade, ele é bem prático.
“Uma pesquisa com 2.784 desenvolvedores de software livre descobriu que a principal motivação para eles trabalharem colaborativamente é “desenvolver novas habilidades”.”
Ou seja: o que os novos socialistas querem é se tornar profissionais melhores, inclusive para competir melhor no mercado de trabalho.
E eles trabalham duro para isso: calcula-se que a última versão do software colaborativo Fedora Linux 9 é o fruto de 60.000 anos-homem – a totalidade do trabalho de 60.000 homens ao longo de um ano. Sem remuneração.
“Ohloh, uma empresa que se especializou no setor de software livre, apurou que há hoje mais ou menos 250.000 pessoas no mundo trabalhando em 275.000 projetos, um número impressionante. Isso é quase o tamanho da General Motors. É um número bem grande de gente trabalhando de graça, ainda que seja em meio período. Imagine se todos os funcionários da GM parassem de receber salários e ainda assim continuassem produzindo carros.”
Claro que o texto de Kelly conseguiu o feito de irritar profundamente direitistas e esquerdistas: uns pelo uso da palavra “socialismo”, outros pelos elogios rasgados ao poder do mercado. Mas esse pessoal se irrita muito fácil mesmo…
O que era para ser um brinquedinho inocente comercializado pelo McDonald’s revela-se um bom motivo para piada. Um dos bonecos do homem-aranha que podem ser adquiridos nas lanchonetes possui o seguinte nome em espanhol: “hombre-araña trepador”. Essa faceta do aracnídeo eu juro que não conhecia. Por via das dúvidas, comprei dois bonequinhos.
Nesse último domingo foi o batizado do meu filho, Saulo, que virou Paulo após ser banhado pelas águas do Espírito. Enquanto estava na celebração ouvindo todas as admoestações feitas pelo celebrante, fiquei pensando sobre o modo como a Igreja trata seus fiéis. De cada três frases, duas se prestavam a cobrar dos ali presentes. Não era uma cobrança financeira, mas sim de presença à comunidade.
Passei dez anos na Crisma, como catequista e também como coordenador. Desde o segundo semestre de 2007, contudo, estou afastado da Igreja, em uma espécie de exílio religioso. De longe, vez ou outra observo as ações da Santa Madre. Me parece que ela continua sendo uma senhora bastante orgulhosa, cuja relação sustenta-se ainda na relação feudal entre senhor e servo. Hoje, mais que nunca, fazer parte de uma religião é uma escolha pessoal. Na verdade, fazer parte de qualquer coisa, de qualquer relacionamento trata-se de uma escolha pessoal, pelo menos no Ocidente.
Para muitos que integram as fileiras da Igreja, no entanto, falta essa compreensão. Me parece que ser católico ainda é visto como uma obrigação, um dever-ser. É lógico que se você pertence a um credo religioso deve cumprir um mínimo de normas e rituais. Isso é básico não só do ponto de vista teológico, como do sociológico.
O que me incomoda é a forma como a mensagem é pregada: de alto para baixo, de quem sabe para quem não sabe. Falta uma postura mais humilde de quem faz a Igreja, de saber acolher, de saber ouvir, de não pré-julgar, de saber que não se é a única verdade verdadeira neste mundo (e nem no outro). Talvez mais que em qualquer outro período histórico, a postura da Igreja em relação a seus fiéis deve ser horizontal. No lugar de cobrança, convite. Em vez de ameaças, esperanças.
As pessoas querem religiões. Elas têm fé no transcendente, talvez até em demasia. Mas elas querem ser amadas, querem ser bem recebidas, querem palavras de apoio e não vergastadas morais. Jesus não passou os pecados da prostituta na cara dela e só então a perdoou. O perdão veio primeiro.
O batismo é uma pastoral fundamental em qualquer estrutura eclesial. Se as pessoas forem bem acolhidas, se as reuniões tiverem sentido pra elas, se o padre se apresentar como um bom conselheiro, a probabilidade de que elas permaneçam aumenta.
Não sei quanto aos outros, mas a homilia dominical daquele batismo não me apeteceu a abandonar meu exílio. Ninguém gosta de estar em um local onde se sinta desconfortável. Que comunidade é essa?
Tem mais coisa sobre o assunto, mas paro por aqui, por enquanto.
O twitter é a grande moda da internet hoje, neste exato momento, agora mesmo (só assim para poder se medir o alcance de alguma coisa na rede). Entre suas virtudes, está o de ser ainda mais insatantâneo que o blog, que por sua vez é mais instantâneo que o site. Beleza.
Mas e sobre o que deverá ser dito nesses veículos? Será que há tanta coisa relevante assim para ser dita, em velocidade mais que supersônica?
Da minha parte, não. O blog, para mim, já se apresenta como um grande desafio. Olhar a tela em branco e pensar em algo que seja realmente relevante representa uma tarefa árdua. Poderia ficar copiando textos que saem por aí. Seria bem mais fácil. Mas aí o blog deixa de ter a minha cara, a minha micro contribuição.
Twitter no dos outros é refresco. Para mim, não. Vou ficar aqui blogando quando der, quanto tiver algo para oferecer. O Vida Paralela* não tem vontade de ser um hipermercado, mas sim uma quitandinha modesta, com frutas frescas e atendimento personalizado. É isso.
Vida e Liberdade. Esses são os dois grandes temas da Páscoa, que significa, originalmente, passagem. Nesse período de descanso e (re) encontro com o divino para muitas pessoas, segue uma poesia sem credo determinado, como são todas as coisas que importam:
Amar é ter um pássaro pousado no dedo.
Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que,
a qualquer momento, ele pode voar.
Rubem Alves.
Estava eu em meio à lotação de um shopping da cidade no último domingo, Dia Internacional da Mulher, fazendo compras com minha esposa em uma loja de bijuteria quando me veio um pensamento assombroso: “Qual é o brinco que ela está usando?”
O assombro, logicamente, não se deveu ao brinco em si, mas à cegueira que a rotina nos acomete. Passamos a não prestar mais atenção aos detalhes. É o brinco, o corte de cabelo e, em um estágio mais avançado, não se vê mais nem a pessoa de quem se gosta!
Na verdade, prestamos pouca atenção às coisas, no dia-a-dia. O trajeto casa-trabalho não surpreende mais, bem como os colegas de trabalho e aquelas atividades aborrecidas que sempre temos de executar. Mas levar essa percepção seletiva a quem dizemos que mais amamos me parece ser algo injusto. Elas são ou não são especiais, como gostamos de dizer (nem que seja sob o efeito do álcool)?
Por isso, para que a relação não afunde, faça o teste do brinco: que peça ela está usando agora, prateada, redonda, pontuda, brilhosa? Se não souber a resposta, sem problemas, nunca é tarde para limpar os olhos e enxergar o que realmente interessa…
