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Prometes que me deixarás quieto
tão logo eu termine de escrever
estas linhas?
Tu que te assentas sobre mim,
tal qual
nuvem negra
sobre o deserto.
Desassosegas, mas não se precipita.
Alegras-te com meu temor interior,
sem direção & insidioso.
Digas, podes revelar-me,
que meu palpitar vezo
e inconfessável travestido de eficácia
te faz grunhir um riso aberto e debochado.
Sabes que meus muitos planos de ação
feitos apenas para me defender de ti
são apenas trincheiras defasadas,
artifícios inúteis e solapáveis de um
boneco oco
que pensa não ter cordas atadas
a seus pulsos por meio de orifícios.
De todos meus remédios, tu és a única cura
e minha moléstia.
Beijas minha boca enquanto tua língua
perfura, salivosa, minha garganta
& curtimos juntos o botão que nunca para,
ainda que já não haja mais menor
vestígios/restos
que se possa pressionar.
Me deixaste gordo, pálido e insone.
Me queres do teu jeito, a teu bem definir.
Cesso de comer, empaturro-me, pedalo sem parar.
Uivo, gano e me aquieto.
Tudo para que te regozijes,
enchas bem teu saco de mim & que
um dia
me largues solto & respirante ainda
em qualquer pousada,
quiçá em um pouso forçado.
E que eu possa fincar minha morada na data presente,
na hora quebrada, no minuto candente,
no segundo que se sente.
No que minha vida tem de
pulso
e não de pulsão.
Odracir Aruom 070711 01:46
