Nos dois anos passados, os dias que antecederam meu aniversário foram de reflexão. Primeiro, a perspectiva de envelhecer, aos 30. Depois, o sentimento da solidão, aos 31. Nos 32, que se avizinham agora, não tive nem tempo de pensar nessas questões macro – por causa de uma série de razões – mas mesmo assim me meto a escrever sobre mais uma passagem de ano.
O tema desta vez são meus filhos. Sei que soa clichê dizer que a gente aprende com eles, que eles são um presente divino e coisa e tal. Mas é verdade.
Os filhos, principalmente quando mais pequenos, são como espelhos onde a gente pode ver o reflexo de nossos atos. À medida em que eles começam a ganhar autonomia, a pensar por si próprios, todo o nosso sistema de crenças começa a sofrer abalos diante de questionamentos tão profundos e, ao mesmo tempo, tão simples. É o mundo da criança interrogando o mundo do adulto. E isso é muito bom.
Para quem se interessa pelo ser humano vale muito a pena ver o interesse deles em alguma coisa, o modo como resolvem as dificuldades, seu senso do que é certo e do que é errado. As loucas conclusões a que chegam ao unir elementos, por vezes, que não possuem qualquer relação entre si (ou possuem, sei lá).
É reconfortante encontrá-los ao fim do dia, atirando-se sobre meu corpo e quase me derrubando, em uma demonstração gratuita de afeto. É mais um turno que começa, uma matinê ao inverso que só tem início depois das 18h. Esse é um período em que a frieza dos prazos e as urgências do dia-a-dia não desfrutam de qualquer domínio. É um tempo moleque, incriado e infinito. É um tempo que a gente já viveu um dia, mas está escondido em alguma dobra do cérebro.
De qualquer modo, continuamos a envelhecer e a nos sentirmos só. Mas com os filhos, nossos pequenos companheiros, essa jornada torna-se muito menos dolorosa. E imensamente mais feliz.

O que foi escrito há um ano…
3.1.
setembro 10, 2009 in Pessoal (Editar)

Cada aniversário traz em si um momento de autoreflexão. Pelo menos é isso o que acontece comigo. Resolvi meu dilema pessoal da idade avançada na chegada os 30.

Aos 31, minha preocupação atual é a solidão. Percebi que estamos irremediavelmente sozinhos no mundo. Estar só não é estar em um deserto, sem alguma alma viva. É responder

solitariamente aos desafios que a vida nos impõe. É não poder compartilhar integralmente a nossa angústia pessoal, que é só nossa.

Será que estou falando sozinho?

(Atualização)

P.S. Dá um certo alívio saber que outras pessoas também se sentem assim. Que tal formamos a Banda dos Corações Solitários do Sargento Pimenta?