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Reuniões, doença, greve, aula, textos para escrever e um dentista no fim do dia. Ainda assim, vale a pena dar uma pausa para ler Caio Fernando Abreu ou, para os mais íntimos, Caio F.
O amor simplesmente acontece. É isso.
Essa palavra me persegue, mas um dia eu ganho dela…
Procrastinar
v.t. e v.i. Adiar, espaçar, delongar.
Sinônimos: adiar, delongar, diferir, pospor, prolongar, prorrogar, protelar, protrair e retardar
Classe gramatical de procrastinar: Verbo transitivo e Verbo intransitivo
Separação das silabas de procrastinar: pro-cras-ti-nar
Possui 12 letras
Possui as vogais: a i o
Possui as consoantes: c n p r s t
Procrastinar escrita ao contrário: ranitsarcorp
Procrastinar escrita em linguagem l337: pr0cra571nar
Na numerologia procrastinar é o número 8
Nesse último domingo foi o batizado do meu filho, Saulo, que virou Paulo após ser banhado pelas águas do Espírito. Enquanto estava na celebração ouvindo todas as admoestações feitas pelo celebrante, fiquei pensando sobre o modo como a Igreja trata seus fiéis. De cada três frases, duas se prestavam a cobrar dos ali presentes. Não era uma cobrança financeira, mas sim de presença à comunidade.
Passei dez anos na Crisma, como catequista e também como coordenador. Desde o segundo semestre de 2007, contudo, estou afastado da Igreja, em uma espécie de exílio religioso. De longe, vez ou outra observo as ações da Santa Madre. Me parece que ela continua sendo uma senhora bastante orgulhosa, cuja relação sustenta-se ainda na relação feudal entre senhor e servo. Hoje, mais que nunca, fazer parte de uma religião é uma escolha pessoal. Na verdade, fazer parte de qualquer coisa, de qualquer relacionamento trata-se de uma escolha pessoal, pelo menos no Ocidente.
Para muitos que integram as fileiras da Igreja, no entanto, falta essa compreensão. Me parece que ser católico ainda é visto como uma obrigação, um dever-ser. É lógico que se você pertence a um credo religioso deve cumprir um mínimo de normas e rituais. Isso é básico não só do ponto de vista teológico, como do sociológico.
O que me incomoda é a forma como a mensagem é pregada: de alto para baixo, de quem sabe para quem não sabe. Falta uma postura mais humilde de quem faz a Igreja, de saber acolher, de saber ouvir, de não pré-julgar, de saber que não se é a única verdade verdadeira neste mundo (e nem no outro). Talvez mais que em qualquer outro período histórico, a postura da Igreja em relação a seus fiéis deve ser horizontal. No lugar de cobrança, convite. Em vez de ameaças, esperanças.
As pessoas querem religiões. Elas têm fé no transcendente, talvez até em demasia. Mas elas querem ser amadas, querem ser bem recebidas, querem palavras de apoio e não vergastadas morais. Jesus não passou os pecados da prostituta na cara dela e só então a perdoou. O perdão veio primeiro.
O batismo é uma pastoral fundamental em qualquer estrutura eclesial. Se as pessoas forem bem acolhidas, se as reuniões tiverem sentido pra elas, se o padre se apresentar como um bom conselheiro, a probabilidade de que elas permaneçam aumenta.
Não sei quanto aos outros, mas a homilia dominical daquele batismo não me apeteceu a abandonar meu exílio. Ninguém gosta de estar em um local onde se sinta desconfortável. Que comunidade é essa?
Tem mais coisa sobre o assunto, mas paro por aqui, por enquanto.
Você está no carro com sua mulher/amante/namorada. Para no sinal. Um belo carro se aproxima. Você o contempla. Ao virar o olho, sua mulher/amante/namorada já não está mais lá. O susto dura pouco tempo. O vidro do carro ao lado é abaixado e você consegue vê-la, muito bem sentada no outro veículo! Perdeu, playboy!
Esse é, em suma, o roteiro do comercial do Stilo Blackmotion, da Fiat. Quem acompanha propaganda de carro sabe que não basta ter um modelo rápido, confortável e seguro. Me pergunte qual a inovação trazida pelo novo modelo. Não sei. De acordo com a propaganda, o grando trunfo do novo Stilo é levar a mulher dos outros embora [Em termos né? Porque ninguém é de ninguém. No máximo nos emprestamos mutuamente].
Não basta o carro ser bom. É preciso pegar geral. É preciso ser o comelão. O comercial da Fiat, nesse sentido, é o supra-sumo da virilidade sobre quatro rodas, da cultura do big stick, do quanto mais duro melhor.
Vamos levar o comercial a sério, por alguns segundos. O que o motorista do Stilo fez com que a mulher que acabou de abandonar seu marido/amante/namorado? Levou para o motel? Mandou descer pouco depois, depois de chamá-la de “Maria Gasolina”? Voltou pra casa com cinco exemplares do sexo feminino? Quem não tem o novo Stilo, vai ter de travar a porta do carro para não deixar sua mulher escapar?
Pergunta final: As mulheres são tão voláteis assim? O tesão pelo carro é maior que o tesão por quem está dentro? Tenho certeza que não. A Fiat deve achar que sim.
O twitter é a grande moda da internet hoje, neste exato momento, agora mesmo (só assim para poder se medir o alcance de alguma coisa na rede). Entre suas virtudes, está o de ser ainda mais insatantâneo que o blog, que por sua vez é mais instantâneo que o site. Beleza.
Mas e sobre o que deverá ser dito nesses veículos? Será que há tanta coisa relevante assim para ser dita, em velocidade mais que supersônica?
Da minha parte, não. O blog, para mim, já se apresenta como um grande desafio. Olhar a tela em branco e pensar em algo que seja realmente relevante representa uma tarefa árdua. Poderia ficar copiando textos que saem por aí. Seria bem mais fácil. Mas aí o blog deixa de ter a minha cara, a minha micro contribuição.
Twitter no dos outros é refresco. Para mim, não. Vou ficar aqui blogando quando der, quanto tiver algo para oferecer. O Vida Paralela* não tem vontade de ser um hipermercado, mas sim uma quitandinha modesta, com frutas frescas e atendimento personalizado. É isso.
Peço desculpas aos meus três leitores, mas, como sempre, há uma lista enorme de coisas para ser feitas. Pela persistência, ofereço-lhes alguns aforismas de Nietzsche, em “Humano, Demasiado Humano”:
531 – Aquele que vive de combater o inimigo tem interesse em que ele continue vivo.
544 – Quem vê pouco, sempre vê menos; quem ouve mal, ouve sempre algo mais.
557 – As pessoas que não podemos suportar procuramos tornar suspeitas.
566 - O amor e o ódio não são cegos, mas ofuscados pelo fogo que trazem consigo.
568 – Esquecemos nossa culpa quando confessamos a outro alguém; mas geralmente o outro não a esquece.
